Depoimentos de professores dão início a ataques entre candidatos em Salvador

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    No Dia dos Professores, foram representantes da categoria as estrelas na reestreia dos dois candidatos a prefeito de Salvador no rádio e na TV,  marcada pelo tom de tiroteio entre ambos, que dominou parte do horário eleitoral gratuito ontem.

    Enquanto o programa do petista Nelson Pelegrino começou com uma professora defendendo o governo atual e criticando a administração do ex-governador Paulo Souto (DEM), o do democrata ACM Neto exibiu, também na abertura, o depoimento de outra professora da rede estadual. De frente para a câmera, ela relatou a tristeza com a greve das escolas e a decepção com o PT.

    “Não tem professor hoje, no estado, que receba menos do que o piso salarial”, disse a professora que abriu o programa de Pelegrino. Dez minutos depois veio o troco do democrata, quando outra professora lembrou a greve na rede estadual e afirmou que o PT tratou a paralisação de 115 dias de maneira “humilhante”. Ela ainda finalizou o depoimento com uma canção usada durante o movimento: “Você pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão”.

    Igualdade
    Com dez minutos para cada lado, os prefeituráveis costuraram os ataques nos programas com propostas e mensagens de aliados. O petista voltou a apostar na associação, através de imagens gravadas durante o segundo turno de 2008, entre Neto e o prefeito João Henrique (PP). Ao final da propaganda de Pelegrino na TV, o apoio de Neto a João foi lembrado, assim como o do PMDB, legenda do prefeito em 2008, ao democrata.

    Já Neto aproveitou o espaço na TV para acusar o adversário de criar boatos no primeiro turno com a intenção de lhe prejudicar. Para Neto, a campanha petista foi responsável por colocá-lo contra beneficiários do Bolsa Família, programa do governo federal de assistência a famílias de baixa renda.

    “Eles dizem que vou acabar com o Bolsa Família. É mentira”, afirmou o democrata, na gravação de um comício exibido no seu programa. “Quem criou o Fundo de Combate à Pobreza (mecanismo de fomento do Bolsa Família) foi o senador Antonio Carlos Magalhães”, completou Neto.

    Os dois candidatos também destinaram parte do tempopara comparar a forma como seus partidos administraram a Bahia. Enquanto a propaganda petista elogiava a administração Jaques Wagner e atacava o governo anterior, sobretudo nas áreas de saúde e educação, o programa de Neto criticava a gestão de Jaques Wagner pelo aumento da violência no estado.

    Rebates
    Se a coligação do democrata prometia a “volta da alegria” no novo jingle, a do petista ressaltava a aliança de Pelegrino com Wagner, o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff. “Quero ver essa cidade na parceria se unindo”, dizia a música de Pelegrino. Essa  parceria foi minimizada no programa de ACM Neto.

    “Sabe com quem eu vou fazer aliança? Com o povo de Salvador”, declarou Neto, cuja campanha usou outro jingle, no rádio, para dizer que “não adiantou” o que chamava de “boato, chantagem e  fofoca” atribuídas ao rival.

    Para fortalecer a ideia da aliança partidária, Pelegrino contou com depoimentos de  Dilma, Lula e dos candidatos derrotados Mário Kertész (PMDB) e Márcio Marinho (PRB). Já a propaganda do democrata exibiu o candidato a vice de Kertész, Nestor Neto (PMDB) – que disse ter optado por ACM Neto por achá-lo o “melhor” – e apostou no discurso da candidata a vice-prefeita em sua chapa, Célia Sacramento (PV).

    Ideias
    Além da troca de farpas, os dois programas também apresentaram projetos para a cidade. Ideias como a implantação do bilhete único e a construção de creches foram mostradas pelos dois candidatos. Pelegrino prometeu ainda construir Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), recuperar asfalto, requalificar a orla e fazer obras para solucionar o trânsito da capital. Já o programa de ACM Neto destacou projetos como a instalação das Prefeituras-Bairro e a  criação da Secretaria da Ordem Pública e dos Centros de Educação Integral. (Correio)

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