Jornal A Tarde mostra caso de suposta adoção ilegal em Cansanção

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    Um novo episódio com indícios de adoção irregular surgiu no sertão baiano, agora na cidade de Cansanção (a 341 km de Salvador).

    O Jornal A TARDE chegou à dona de casa Beatriz Oliveira Lopes, 26, que confirmou ter entregue um bebê recém-nascido a Bernhard Topschall, alemão que é marido de Carmen Topschall. Ela é suspeita de ter intermediado a retirada de cinco crianças da cidade de Monte Santo para serem entregues a famílias paulistas.

    Carmen e Bernhard foram convocados a depor terça-feira passada à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Federal, em Brasília, que investiga o tráfico de seres humanos, mas permaneceram calados.

    Conforme Beatriz, o bebê nasceu em 21 de dezembro de 2006, no Hospital de Monte Santo, e estaria vivendo com o casal Topschall até hoje. “Tem três anos que Carmen não me dá notícias. Antes, ela me mostrava fotos e até já trouxe ele para eu ver”.

    “Minha mãe e eu brigamos por causa do meu padrasto, que não gostava de mim nem de meus irmãos. Já pôs uma espingarda em minha cabeça”, recordou, acrescentando que não teve apoio do pai do bebê. “Quando ele soube da gravidez, me traiu. A mãe dele também me odiava. Nem quis que ele registrasse”. Gestante e vivendo em um casebre, ela disse que foi procurada por três casais interessados em ficar com a criança, até surgirem os Topschall.

    “Carmen não queria mais o bebê quando soube que era um menino. Implorei para ela levar. Dizem que vendi o bebê, mas se tivesse vendido eu já teria uma casa minha para morar. Carmen até prometeu que contaria ao menino, quando ele estivesse maior, que eu sou a mãe dele, e que me ajudaria a estudar, me formar. Hoje me arrependo”.

    A jovem tem mais dois filhos, de 4 e 3 anos, que moram com o pai, no distrito de Jenipapo, em Monte Santo. Sem trabalhar, Beatriz vive em uma casa alugada por uma amiga em Cansanção.

    Neste caso, aparece a figura de Edite Maria de Jesus, 68, dona de um pequeno restaurante no distrito de Laje (Monte Santo). Ela depôs ao promotor de Justiça Luciano Ghignone em 17 de outubro.

    Órgãos

    Beatriz falou que procurou Edite (que, segundo ela, teria lhe apresentado aos Topschall) ao ver no noticiário a repercussão do caso das crianças de Monte Santo, filhos de Silvânia Maria da Silva e Gerôncio Sousa: “Ouvi que aquelas crianças foram levadas para que tirassem os órgãos delas, fiquei desesperada achando que ia acontecer isso com meu filho. Fui procurar Edite para saber direito daquilo e ela falou que não tinha nada a ver”.

    Edite disse que Carmen a procurou, “querendo saber se havia alguém com um bebê que não tivesse condições de criar. Foi aí que apareceu um pessoal falando sobre Bia (Beatriz). No dia que entregou o bebê, ela pediu tanto que o marido de Carmen levasse que até chorou”.

    Ela disse também que “alertou Bia” a não deixar a região e que procurasse equipes de reportagem para esclarecer a situação. Entretanto, a versão de Beatriz é a de que Edite teria aconselhado a jovem a não atender jornalistas.

    Informações do Jornal A Tarde

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