Moradores de rua ocupam vários bairros de Salvador

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    Bebidas, drogas, desemprego, doenças mentais e abandono são alguns dos principais agentes motivadores que levam pessoas a habitar as ruas. Apesar de estarem presentes em vários pontos da cidade, não há um levantamento preciso sobre a quantidade de moradores de rua em Salvador.

    Estima-se que esta população ultrapasse cinco mil pessoas, mas o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) não faz este tipo de registro, o que impossibilita dado preciso. Pontos de ônibus e praças de Stella Maris, um dos bairros mais nobres de Salvador, tornaram-se “moradias” para os desamparados. Assustados, moradores e frequentadores do local reclamam e pedem providência sobre a questão.

    Há dois meses, um homem aparentando 34 anos “mora” na praça principal da rua Euler Pereira Cardoso, em Stella Maris. Numa pequena barraca de acampamento ele passa as noites e guarda os poucos pertences pessoais. As árvores da praça foram feitas de varal para roupas, o que tem incomodado os comerciantes do local. “Acredito que ele seja usuário de drogas, pois logo pela manhã começa a gritar e, sem nenhum motivo, agride os demais moradores de rua. As pessoas se sentem incomodadas com isso”, conta o garçom Luciano de Jesus, 21 anos, que trabalha em um bar do local. “Além de deixar nossa praça feia ele causa problemas com os clientes, que ficam revoltados com a situação”, ressalta.

    Cansado das reclamações dos clientes, o proprietário do estabelecimento procurou ajuda policial, numa tentativa de retirar o sem-teto da praça. A perda de freguesia e as constantes confusões foram os principais motivos. “Ele foi avisado e sabe que está proibido de encostar aqui no bar. Muitos clientes já reclamaram e deixaram de vir aqui por causa disso”, reclamou Rodrigo Simões, filho do proprietário.

    A agressividade do desconhecido também é apontada como fator de risco para quem mora na região. “Ele tocou fogo nas roupas de outro mendigo, imagina o que pode fazer com um de nós. Costumava trazer meu filho para brincar aqui, mas agora já não posso mais”, disse o autônomo e morador do bairro, Carlos Eduardo da Silveira. “Tenho vontade de doar algumas roupas para ele, mas fico com medo de passar perto”, disse outra moradora.

    Um leitor na rua

    Há alguns metros dali, outro morador de rua chama atenção de moradores e curiosos, mas por motivos diferentes. Alberto Pinho de Campos, 61 anos, vive em um ponto de ônibus da Alameda Praia de Atalaia, cercado de livros, revistas e artesanato feitos pelo companheiro de “moradia”, José Raimundo Souza. Lúcido e com facilidade de expressão, ele conta que foi morar nas ruas, após ter sido vítima de um golpe. “No dia 21 de outubro de 1961 um oficial do 17º batalhão roubou minha casa e meu dinheiro. Virei andarilho e depois vim morar aqui. Só saio deste local, quando receber minha casa e meu dinheiro de volta”, afirma.

    Rodeado de livros e revistas sobre geografia, física, mitologia, astrologia e exoterismo, ele sobrevive com ajuda de moradores da região. “Muita gente doa livros e revistas. Ele é super calmo e tranquilo, mas o outro é agressivo”, contou o morador do condomínio Marambo Verde, Carlos Lima. Sobre as acusações da vizinhança, José Raimundo afirma que vive com tranquilidade, sem abusar ninguém. “Somos dois perseguidos da situação. Somos arte e leitura e juntos somos um”, define.

    A Prefeitura de Salvador mantém um Centro de Triagem, com capacidade para 40 pessoas, na Barroquinha, um Albergue Noturno, que atende 40 adultos, e uma Casa de Pernoite com capacidade para 100 atendimentos, ambos em Roma. Também são oferecidos serviços de atendimento, orientação e fortalecimento de autoestima para a população em situação de rua no Centro Pop, no Centro de Reintegração Social e no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas).  (Informações do Tribuna da Bahia)

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