Motocicleta mata mais do que motoristas embriagados

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    Texto e Fotos reprodução: Tribuna da Bahia

    O Estado Brasileiro tem uma estranha compulsão para tratar os problemas que afligem o país: combate a culpa alheia e esconde a sua debaixo do tapete.

    No caso dos assassinatos, mesmo com um referendo no qual mais de 60% da população ter dito que era a favor de armas e munições para pessoas honestas, o ex-presidente Lula decretou um Estatuto do Desarmamento que deixou as armas como privilégio para os bandidos e aumentou o controle das armas nas mãos dos cidadãos comuns e dos policiais (qualquer policial pode lhe dizer sobre o inferno que é portar uma arma fora do horário de serviço, quando, justamente, eles são mortos pelos bandidos). E, assim, com os honestos sem acesso às armas, o Sr. Lula conseguiu acabar com os assassinatos no Brasil, né mesmo? Pois é…

    Com o trânsito é a mesma coisa. A embriaguez ao volante é um problema sério? Claro que é. Tem que haver legislação e fiscalização? Claro que sim. Mas, e as outras causas de acidentes, das quais o Estado Brasileiro é responsável por quase todas? Serão atacadas também?

    Vejamos:
    1) Segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT), dos 95.707 km de rodovias analisadas em 2012, 88% têm pista simples com mão dupla, o que, no caso dos caminhões e ônibus quando se encontram em sentidos opostos nestas vias simplórias provocam aqueles acidentes cheios de mortos que vemos na TV. O Governo Federal e o seu DNITI não têm nenhuma providência anunciada para acabar com estas mortes.

    2) A situação do asfalto e da sinalização das nossas rodovias é caótica desde o governo Fernando Henrique (PSDB), ficou muito ruim no governo Lula (PT) e não tem nada no horizonte dizendo que melhorará no governo Dilma (PT). Segundo a CNT, dos 95.707 km analisados em 2011, 41,2% foram reprovados. Já, agora, em 2012, este percentual pulou para 62%. Está piorando a condição das rodovias brasileiras. Isto é, mais acidentes, mais feridos, mais mortos por causa da indiferença e da incompetência do Estado Brasileiro.

    3) O problema do Brasil é que a maioria de suas rodovias têm mais de meio século de existência e foram planejadas quando não tínhamos frota que exigisse atenção sobre o setor. Hoje, com 42 milhões de automóveis, 20 milhões de motocicletas, 5 milhões de caminhonetes, 2,3 milhões de caminhões, 825 mil ônibus e micro-ônibus, as nossas vias urbanas e as rodovias mostram-se totalmente INSEGURAS, além de desconfortáveis, para o trânsito. E o Governo “nem tchuns!”.

    É muito “bolodório” e nada de prático. Que os brasileiros morram em ruas e rodovias apertadinhas, esburacadas, desniveladas e com erros de engenharia crônicos. Quem pega estrada sabe do que estou falando: curvas perigosíssimas, exemplos da não-engenharia brasileira, como aquele conjunto de viadutos da Rótula do Abacaxi, planejado por um engenheiro rodoviarista que se esqueceu que estava dentro de uma cidade. Os desalinhamentos nas rodovias são absurdos, além de uma predileção pelas curvas em detrimento das retas, pois na época (há mais de 50 anos), não havia necessidade de investir em pontes, túneis e desbastamento de morros. Hoje esta necessidade é imperiosa. Mas nada se faz.

    4) No Brasil, matar alguém com automóvel ou moto, é crime culposo, quer dizer, no máximo, você pagará algumas cestas básicas. É a melhor arma para se fazer vinganças ou se eliminar concorrentes amorosos ou empresariais ou políticos ou o que seja. Você mata e nada lhe acontece. A morte por veículo deveria ser dolosa, como o é a morte por revólver. Mas o Governo Federal e o Congresso Nacional não querem mexer nisso. Por que será? Por que será? Por que será?

    5) As rodovias brasileiras na época da ditadura militar, tinham balanças e os caminhões eram pesados e tinham que se livrar da carga extra se quisessem seguir viagem. Pra quê isso? Para evitar danificar as rodovias, melhorando a segurança de todos, caminhoneiros ou não. E hoje? Hoje, o lobby das empresas com frotas imensas impede a construção ou funcionamento das balanças. Aí, os caminhões se tornam verdadeiras bombas pelas estradas, pois o motorista não consegue controlar aquela imensidão de carga com um veículo que não foi planejado para excesso de peso e o asfalto das rodovias se acaba. É por isso que uma rodovia é recapeada hoje, como acontece com a Rio-Bahia, e semanas depois você passa e está tudo esburacado de novo. E o Governo Federal, “nem tchuns!”

    6) E tem mais: o que mata mais não é álcool ao volante, é motocicleta. Por motivo puramente eleitoreiro, há 10 anos se faz uma campanha de distribuição quase gratuita de motos entre os jovens pobres do Brasil. As prestações são encontradas de até 45 reais por mês, em caso de moto usada. Com isso, chegamos aos 20 milhões de motos, quase a metade do total de automóveis, 42 milhões. Só que, não foram construídas vias exclusivas para motos, o que seria imperativo, dada a quantidade e suas características especiais.

    É um veículo sem segurança alguma, pois o piloto equilibra-se como num circo, sobre duas rodas, e não há nada que o defenda: air bags, pára-choques de impulsão, barras laterais, teto, enfim, é um veículo para suicidas. E, no entanto, hoje é metade da frota nacional de veículos, atormentando o trânsito nas grandes cidades. Travando por minuto a mobilidade, por causa de um acidente atrás do outro.

    Hoje, no Brasil, embora seja a metade do veículos, as motos provocam mais acidentes que todos os outros veículos juntos: automóveis, ônibus e caminhões. Embora as motos sejam 20 milhões, foram responsáveis por 60% (sessenta por cento) das indenizações do DPVAT (o Seguro Obrigatório que todos pagamos), enquanto os automóveis, sendo 42 milhões, só ficaram com 31% das indenizações.

    E motociclista faz teste do bafômetro? Ora, a cereja do bolo é para o final. De que adianta fazerem, se eles não têm R$1.915 para pagar da multa? A maioria é pobre e está morrendo aos milhares pelo Brasil afora justamente por serem pobres: é o veículo que o Brasil Sem Pobreza reservou para os pobres.

    Só em 2010, 10.825 morreram em motos no Brasil, sendo 89% homens, 62% entre 20 e 39 anos e 99% das camadas populares. Lei Seca para estas pessoas é inaplicável, ela é reservada para a classe média.

    7) E a obrigação que está no Código de Trânsito Brasileiro, de o Governo promovercampanhas educativas permanentes? Você já viu alguma realmente séria?

    Na Semana Nacional do Trânsito, em setembro, se fazem duas ou três palestras para um público que não precisa, pois já está imbuído daquilo que é palestrado e depois, mais nada, pois o que interessa é o caixa, não é um trânsito mais humano. A questão, portanto, não é salvar vidas. O buraco é mais em baixo…

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