Mulher chefiava quadrilha com o ex-namorado, o atual e até a filha

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    Ela é loira e andava com cabelos escorridos, maquiagem impecável e batom vermelho-sangue. Os vestidos e terninhos eram na medida para seus 67 Kg e 1,70m de altura. Com seu “charme”, Jaíra Fagundes Moreira de Araújo, 39, dobrou e seduziu três criminosos e chefiou uma quadrilha especializada em roubo, furto e receptação de veículos, com ramificações em Salvador, Feira de Santana, Juazeiro e nos estados de Sergipe e Pernambuco. Além de um ex-marido, um ex-namordado e o atual, Jaíra comandava a própria filha, Jaiara, estudante de Psicologia da Faculdade Regional da Bahia (Unirb).

    A mulher e a filha foram presas com outras nove pessoas na última quinta-feira. No grupo estava também o ex-marido, o funcionário do Presídio de Feira de Santana Luiz Cláudio Santos da Silva e o atual namorado, o assaltante Cleiton Correia Gomes. Eles foram pegos na Operação Leoa, batizada em homenagem a Jaíra. Luiz Cláudio foi liberado após constatação de não ter envolvimento com o bando. Ilmar Brito Tavares, um dos responsáveis pelos roubos dos carros e ex-namorado da loira, trocou tiros com a polícia na operação e morreu no bairro do Barbalho.

    A prisão de Jaíra nasceu e cresceu durante seus cinco últimos relacionamentos. Natural de Vitória da Conquista, a loira foi para Minas Gerais aos 20 anos. Casou-se e teve dois filhos: Jaira e um irmão. Ela e o marido tinham um parque de diversões. O homem foi assassinado em circunstâncias desconhecidas. Aí ela conheceu Luiz Cláudio, detido com ela na operação.

    A paixão fez Jaíra tatuar o nome dele no braço. Os dois tiveram uma menina e tentaram reerguer o parque de diversões, mas o negócio afundou. A família, então, veio para Feira de Santana e as crises levaram à separação. “Foi nesse período que ela conheceu Ilmar (Brito Tavares)”, conta o delegado Augusto César Lima Eustáquio Silva, do Departamento de Crimes Contra o Patrimônio (DCCP), que interrogou Jaíra e Luiz Cláudio.

    Ilmar e Jaíra foram apresentados em um bar que ambos  frequentavam em Feira de Santana. Amor à primeira vista?  Isso explicaria  o fato de Jaíra tatuar o nome de Ilmar nas costas. O casal se envolveu em vários a assaltos a veículos. Acabaram presos em 2010. A loira, porém, conseguiu um habeas-corpus 1 ano depois.

    Ciúmes
    Logo o seu coração foi preenchido pelo assaltante de banco Hildo de Jesus Souza – morto este ano, em confronto com a polícia no Tocantins. À época que estavam juntos, o relacionamento durou seis meses. O pivô da separação foi o atual namorado, Cleiton Correia Gomes.

    Segundo a polícia, entre um roubo de carro e outro, Jaíra usou a seu favor a experiência que tinha ao logo dos relacionamentos e a sedução. Segundo a polícia, com um banho de loja, fruto do dinheiro dos assaltos, ela dobrou Cleiton e outros bandidos que posteriormente cederam ao seu charme, aceitando trabalhar para ela. De estrategista, a loira virou líder.

    A quadrilha passou a agir em Salvador e Região Metropolitana desde abril deste ano. Depois de roubados, os carros eram adulterados, tendo a numeração do chassi, dos vidros e a placa modificadas. A documentação  era falsificada.  Depois, os carros iam para o interior da Bahia, Sergipe e Pernambuco e eram revendidos por R$ 6,5 mil, em média.

    Em determinado momento, Ilmar passou a fazer parte do bando – o que despertou os ciúmes de Cleiton. “Afinal, ela tinha tatuado o nome de Ilmar nas costas e não fez o mesmo com Cleiton”, conta o delegado Augusto César . Apesar da guerra velada, segundo a polícia, nenhum dos dois foi ao embate e administravam a situação, pois Jaíra era “profissional” e fiel a Cleiton.

    Vaidade 
    Roupas da moda,  justas, sapatos de diversos modelos, batom vermelho – seu preferido – e salão de beleza toda semana. Assim era a vida da líder da quadrilha, que morava com os filhos há cerca de um mês no apartamento 201 do edifício Bahamas, em Amaralina. Os vizinhos a descreveram como uma “mulher elegante”. “Apesar de ela pouco falar com a gente, ninguém nunca suspeitou de nada. Uma mulher de boa aparência, sempre andava bastante produzida”, contou um morador. Nos últimos dias, ela circulava num Gol.

    Os investigadores do DCCP disseram que Jaíra foi presa em Juazeiro, quando ia vender um dos carros roubados. Antes de viajar, ela foi ao salão. “Ela vivia bem-vestida, dia e noite. As roupas serviram tanto para frequentar shoppings, como para ir a restaurantes grã-finos”, conta um policial.

    Filha universitária assumia funções na ausência da mãe
    Detida na carceragem da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Criança e o Adolescente (Dercca), por ser a única na cidade com cela feminina, a estudante Jaiara Fagundes de Araújo, 20, não quis falar com a reportagem do CORREIO ontem. “Na ausência da mãe, era a filha que fazia  o levantamento da quadrilha, buscando placas de carros para serem clonadas”, afirma o delegado Cleandro Pimenta, diretor do Departamento de Crimes Contra o Patrimônio (DCCP).

    Durante a apresentação da polícia, anteontem, a estudante negou que fizesse parte do esquema. Questionada sobre a relação dela com Jaíra, ela limitou-se a dizer: “ela é minha mãe”. Em depoimento à delegada Pilly Dantas, do DCCP, ela repetiu a versão. “Ela é uma menina bonita, articulada e fala bem”, disse a delegada.

    A jovem, que cursava Psicologia na Faculdade Regional da Bahia (Unirb),  mantinha a pizzaria Veritã, no Nordeste de Amaralina. Em depoimento, ela relatou que a pizzaria foi comprada com investimentos da mãe e do namorado. Segundo o delegado Augusto Eustáquio, do DCCP parte do dinheiro oriundo do crime era investido por Jaíra na pizzaria, onde a quantia era “lavada”.

    Ontem, a pizzaria estava fechada. Além de Jaiara, a loira é mãe de outros dois filhos: uma adolescente de 16 anos e um jovem de 22 anos, que já foi ouvido pela polícia, mas não teve o nome e nem o teor do depoimento divulgado.

    As investigações também indicam que a criminosa pagou, à vista, a anuidade do colégio privado frequentado por outra filha, num bairro da orla. Ela desembolsou R$ 4,5 mil e que pagou por um ano, uma clínica de reabilitação para o filho que, segundo a polícia, é usuário de drogas. (Informações e Foto do Correio)

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