Tarifas aéreas sobem 20 vezes mais do que a inflação no Brasil

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    Dados divulgados recentemente dão conta que pacotes de viagens continuam com vagas disponíveis, mas os valores podem não estar tão convidativos. Os preços das passagens aéreas tiveram uma alta expressiva, subindo 11,80% em novembro, mais de 20 vezes acima da inflação.

    Com o resultado, os valores dos bilhetes inverteram a tendência de queda e passaram a acumular alta de 7,55% de janeiro a novembro, segundo informou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15).

    Alessandro Oliveira, especialista em aviação e regulação, disse que as companhias aéreas já vinham se preparando para realizar ajustes desde o ano passado“. As empresas estão preocupadas com a desaceleração da economia e com o número de passageiros que vem crescendo a taxas menores. Por isso vêm reduzindo custos e voos e demitindo funcionários. Com o corte, não faz sentido reduzir os preços e fazer promoções”, disse.

    A fusão da Gol com a Webjet aprovada em outubro pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) pode ter sido o grande vilão para o aumento dos preços neste mês. “As empresas reduzem a concorrência com a compra de companhias menores e isso afeta os preços”, comentou.

    Além dos bilhetes mais caros, o consumidor que planeja uma viagem para o exterior terá que gastar mais com a moeda americana. O dólar turismo, usado por quem vai viajar, começou novembro em R$ 2,16 e atingiu pico de R$ 2,23 no dia 22 do mês.

    Sobre a questão das tarifas comercializadas pelas empresas aéreas no Brasil, a Secretaria de Aviação Civil (SAC) esclarece que desde a implementação do regime de liberdade tarifária no transporte aéreo brasileiro, em 2002, a evolução das tarifas praticadas pelas companhias aéreas apresentou uma significativa redução no país.

    Já a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) apresentou dados que mostram que em 2002 a tarifa média real paga pelo passageiro foi de R$ 498,04, enquanto em 2011 essa mesma tarifa caiu para R$ 282,67, uma redução de 43% no período. No primeiro semestre de 2012 a tarifa média foi de R$ 272,64 mantendo, portanto, sua tendência de queda.

    Ao mesmo tempo, a oferta de assentos pelas companhias aéreas aumentou 138% (crescimento médio de mais de 10% ao ano) e a demanda por transporte aéreo aumentou em mais de 150%. No período, o número anual de passageiros transportados passou de 33 milhões para 85 milhões.

    Insatisfação os passageiros

    As autoridades divergem, os dados são apresentados, mas o consumidor, o passageiro não está nada satisfeito com o que anda vendo e vivenciando. Para Renato Alves, 34 anos, analista de sistemas, que mora em São Paulo e veio a Salvador pelo trabalho, “os preços sobem e a qualidade cai”, desabafou.

    Para Vickie Lopes, 28 anos, que trabalha na área de hotelaria e vive no Rio de Janeiro, a situação dos preços é bastante abusiva. “O serviço não é adequado, não tem qualidade, não existe nenhuma vantagem para o passageiro. É um valor alto para o que se oferece, em momento de eventos grandes, que o Brasil enfrentará, durante as festas de fim de ano e no período das férias eles aproveitam”, disse.

    No caso de Sérgio Filho, professor de Educação Física, a solução está em comprar milhas dos amigos. “Acabei de comprar uma passagem de ida e volta para o Rio Grande do Sul por R$ 700 na mão de um amigo, mas se fosse pela companhia, seria R$ 1.200 só para ir”.

    (Informações do Tribuna da Bahia)

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