60,6% das pessoas que sofrem acidentes de trânsito com lesões precisam de assistência médica

A questão da segurança no trânsito ultrapassou o âmbito de proteção pessoal para ser um problema de segurança e saúde pública. Isto porque o número de acidentes que acontecem dia a dia é preocupante.  

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Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) correspondente a 2019 (último ano com dados apurados) publicada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), só naquele ano o Brasil registrou 3,876 milhões de pessoas envolvidas em acidentes de trânsito com algum tipo de lesão corporal. Do total, quase a metade teve que deixar de realizar alguma de suas atividades habituais, e 60,6% dos lesionados precisaram de algum tipo de atendimento ou assistência de saúde. Se é para falar em mortes o panorama é pior: o Brasil é o 5° país com mais mortes por este tipo de acidentes; a cada 12 minutos uma pessoa morre por sinistros vinculados ao trânsito.     

Pensar em atendimento médico hoje em dia é um assunto sensível, levando em conta que o sistema de saúde está voltado ao combate contra o covid-19. Atualmente, um acidente de trânsito com vítimas que precisam de internação prejudica o dobro: não só é preciso lutar pela melhoria dos lesionados, mas também o sistema perde espaço para o cuidado dos casos graves de contágio do vírus.   

O número de mortes, ainda sem considerar o contexto atual, é o que torna o assunto em um caso de saúde pública. Em palavras do diretor presidente do Observatório Nacional de Segurança Viária, José Aurélio Ramalho, “o trânsito tem números de pandemia. A diferença para o momento que estamos vivendo é que para a covid-19 há uma vacina que está imunizando as pessoas. Mas para a doença do trânsito, infelizmente, a vacina está na atitude, na mudança do comportamento”. 

É por isto que o foco, além das condições dos veículos e das estradas, deve ser colocado na educação viária. Existe ainda uma grande porcentagem da população com pouca informação sobre regras básicas como parar na faixa de pedestres ou usar a cadeirinha para levar as crianças. Também é importante promover a cultura da prevenção, por enquanto pouco desenvolvida no país. Para isso é preciso ensinar a cidadania, por exemplo o que é um seguro e como contratá-lo, e a importância de ficar protegido perante a possível ocorrência de acidentes (não só para contar com cobertura médica mas também assistência jurídica e económica em caso de responsabilidade por danos ou lesões a terceiros). 

Um exemplo básico que mostra a evolução, mas também o quanto resta por fazer, é o caso da utilização do cinto de segurança. Por lei, o uso dele tornou-se obrigatório desde 1997. Tem passado mais de 20 anos, e seu uso é geral no banco da frente, só que menos frequente no banco de trás. Enquanto 79,7% das pessoas entrevistadas pelo IBGE afirmam sempre usar o cinto no banco da frente, o índice desce para 54,6% quando se referem ao uso no banco de trás. Sinais como esse, junto com outras preocupações como o uso do celular ao dirigir, mostram que alguns hábitos ainda não estão incorporados em grande parte dos brasileiros.