ACM Neto fortalece o DEM e mantém oposição unida para a sucessão de 2014

Paulo-Souto_Geddel_ACM_NetoA promessa de manutenção da unidade, manifestada pelos partidos DEM, PSDB, PMDB e PPS logo após as eleições municipais de 2012, teve claros sinais de que deve ser concretizada, tendo como ênfase o projeto de retomada do grupo ao poder estadual no pleito de 2014.  Esse foi o clima do evento realizado pela Executiva do DEM, ontem, no lotado auditório Jutahy Magalhães, na Assembleia Legislativa da Bahia, para filiação dos deputados Elmar Nascimento, Sandro Régis e Targino Machado.

A filiação mais intrigante da semana na Bahia é obra exclusiva do prefeito ACM Neto (DEM). O ingresso do deputado estadual Bruno Reis, um dos parlamentares mais ligados a ele, no PMDB do ex-ministro Geddel Vieira Lima, se tornou o assunto preferido ontem dos meios políticos. Uma indicação de que Geddel seria o preferido de ACM Neto para a sucessão de 2014? Ou um ato do prefeito destinado a sensibilizar o peemedebista a apoiar o candidato a governador do Democratas no ano que vem?

xIMAGEM_NOTICIA_5.jpg.pagespeed.ic.7Fiu8RU6sfA segunda opção, sem dúvida, é a mais provável. Bruno não tomaria a decisão sem combiná-la antes nos mínimos detalhes com Neto. Sua ligação com o prefeito é profunda. No segundo turno da campanha municipal em que Neto foi eleito, em 2012, chegou a alugar uma casa num dos bairros do Subúrbio para ficar mais próximo dos cobiçados eleitores da região. O nível de ligação entre os dois permitiria, portanto, que Neto solicitasse a ele a filiação ao PMDB. E deve ter sido o que o prefeito fez.

Com isso, Neto deu uma demonstração de magnanimidade, fato cada vez mais raro na política. O prefeito cumpriu uma promessa ao se eleger. Nos primeiros meses, mergulharia exclusivamente na gestão e se afastaria da política determinado a reverter o quadro financeiro caótico em que encontrou a Prefeitura. Ficou assim por cerca de 250 dias até tirar uma semana para lançar-se ao jogo das articulações, negociações e, principalmente, do convencimento.

Lucio_Imbassahy_Neto_Convencao_DEM_Bocao_NewsNum prazo de menos de sete dias, promoveu intensamente seu partido como pouso seguro para inúmeras lideranças potenciais e consolidadas. E arranjou um número significativo de novos filiados para o DEM, alguns ainda nem revelados ao público. Mas não queria ser acusado de ajudar apenas o seu partido, virando as costas para as demais legendas que o apóiam e, pelo visto, pretende liderar na base da inteligência e da sedução enquanto for prefeito.

Por este motivo, escolheu dois quadros para colocar no PMDB – Bruno Reis e a deputada Graça Pimenta, mulher do amigo Tarcízio Pimenta, ex-prefeito de Feira de Santana -, ajudou na escolha do seu líder na Câmara, vereador Joceval Rodrigues, à presidência estadual do PPS, colaborou para conter a ida de Marcell Moraes do PV para o oposicionista Solidariedade, e ainda fisgou o PROS, cuja disputa venceu com o governo do Estado, dando-o a seu secretário Maurício Trindade (Ação Social).

De todos, o PMDB é o que pode ficar-lhe mais grato. O partido perdeu um deputado federal – Arthur Maia – e deixou de oferecer o grau de atratividade para novos filiados que exibiu até seu passado recente, mas, com as filiações de ontem, especialmente a de Bruno, não pode se queixar de ter sido esquecido pelo aliado de plantão no executivo. Com um governante que se preocupa com ele, Geddel não precisa deixar que o PMDB seja seduzido, por exemplo, pelo PT.

Com as demonstrações que deu ao grupo de sete partidos aliados – além dos citados acima, PTN e PSDB também estão com ele – Neto se livra do estigma do individualismo que o acompanhava desde a eleição para deputado, em 2010, harmoniza as relações com todos para o jogo que deve ser iniciado na sucessão estadual de 2014, mas, sobretudo faz uma espécie de pré-arrumação da casa para 2016, quando vai tentar se reeleger, quem sabe, como uma liderança de espectro ainda bem maior.

Com informações do Política Livre e do Tribuna da Bahia