Acompanhe as dicas de especialistas para manter a calma nas provas do Enem

201211010430290000006601O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) será neste sábado e domingo e, após longos e árduos anos de estudo, chega, enfim, a temida prova que dá acesso a uma vaga no ensino superior. É toda uma vida escolar sendo cobrada em uma ou duas tardes, sob a pressão do tempo, da cobrança, da ansiedade, etc. É o momento em que precisamos de toda nossa capacidade mental para resgatar com eficiência os conceitos aprendidos anteriormente e mostrar todo nosso arsenal intelectual para resolver os problemas inéditos propostos pelo temido examinador.

Para se dar bem em uma prova e conseguir se classificar na tão concorrida prova do Enem, o Neurologista Leandro Teles, membro efetivo da Academia Brasileira de Neurologia, ressalta que o rendimento cerebral no dia do vestibular é exigido de forma complexa e abrangente. “Controle emocional, foco, capacidade de evocação, estratégia e rapidez são as modalidades cognitivas mais importantes nessa hora”.

A missão do bom vestibulando é realmente árdua. “É abrir a gaveta mental certa, buscar na montanha de conhecimentos prévios a informação precisa para “matar” determinado dilema, fugir das famosas pegadinhas, controlar o ritmo de resolução, escapar dos “brancos”, etc. Ufa! É uma maratona cerebral para poucos. Em uma competição tão nivelada, os detalhes no dia “D” podem fazer toda a diferença”, completou Teles.

Não basta estar preparado, é fundamental conseguir acessar a informação com segurança, velocidade e não oscilar no transcorrer da prova. “Pecar por falta de estudos e preparo é uma coisa. Ir mal na prova por descuido, ansiedade e brancos, é outra completamente diferente. O preparo do aluno deve, sem dúvida, incluir medidas para reduzir o risco de ter um dia mentalmente ruim bem na hora de demonstrar todo seu potencial escolar”, afirma o especialista.

A estudante Fernanda Souto, 17 anos, está ansiosa para fazer a prova pela primeira vez. Ela está tentando uma vaga para cursar medicina e sabe que o curso é muito concorrido até nas faculdades particulares. “A minha maior dificuldade é controlar a ansiedade e o nervosismo. Estudei em um dos melhores colégios particulares da Capital e sei que estou preparada, mas só de pensar que toda a minha família está apostando que vou passar isso me deixa com uma responsabilidade de dar uma boa notícia a todos e não quero decepcioná-los. Vou fazer o melhor que posso, mas se não conseguir, vou continuar tentando”, enfatizou a estudante.

Dicas para um bom desempenho e segurança

Grau de cansaço

Um cérebro descansado é sempre mais confiável. “Procure dormir bem nos dias que antecede a prova e reduzir a carga de estudos. Priorize revisões leves e temas que você tenha mais facilidade e domínio. Também não abuse na atividade física, prefira exercícios aeróbicos leves, alongamentos, atividades ao ar livre. Isso ajuda a suportar a tensão muscular durante a prova e controla o sono e a ansiedade”, disse o neurologista Leandro Teles.

Controle Emocional

Ansiedade e o estresse fazem parte do “pacote”, não tem jeito. A adrenalina e o medo do fracasso ajudam o cérebro em motivação e foco. O problema é a dose! Excesso de tensão e ansiedade eleva o risco de erros bobos, dificulta a percepção de detalhes e provoca os temidos brancos. “Para reduzir a ansiedade é fundamental cumprir o cronograma de estudos, entender a limitação do processo (é impossível saber e dominar todo o conteúdo), praticar atividades de lazer e atividade física com certa regularidade, trabalhar a respiração (que deve ser lenta e profunda) e retirar a carga de importância do evento (na hora “H” o aluno precisa apenas responder com tranquilidade, nada de ficar martelando que é o evento mais importante de sua vida, que não pode falhar, que o mundo acabará se não for bem, etc, isso não ajuda em nada a encontrar a resposta correta)”, ponderou o especialista.

Confiança

É muito importante entrar confiante e manter essa confiança durante a prova. A insegurança leva a perda de tempo e contamina todo o rendimento durante a avaliação. “Evite estudar temas novos ou muito complexos nos dias que antecedem a prova. Valorize o que você estudou durante o ano, não fique pensando naquilo que você não estudou ou não aprendeu. Trabalhe sua autoestima. Inicie a prova com assuntos que você domina, isso traz segurança, motivação e ajuda no controle de tempo. Não fique emocionado e fragilizado com questões que você não sabe a resposta. Toda prova tem questões difíceis e até questões imprecisas, mas cada teste vale a mesma coisa. Não permita que questões específicas tirem sua estabilidade. Não sabe a resposta, siga com tranquilidade e volte nas questões complicadas apenas no final, isso evita desgaste e perda excessiva de tempo”.

Estratégia de prova

Toda missão exige uma estratégia. “A prova não seria diferente. Conheça bem as regras do jogo, o tempo total, o número de matérias e questões por matéria. Atribua tempos específicos de acordo com o grau de dificuldade individual. Seja frio e calculista. Você precisa pontuar! Chegue com antecedência, documentação ok, gerencie a dinâmica de prova, preencha o gabarito com tranquilidade, etc”, ressaltou Teles.

Alimentação

Nada de fazer a prova com fome ou sede. “Alimente-se adequadamente nos dias que antecedem a prova e, principalmente, durante a prova. Evite alimentos duvidosos e excessos alimentares. Prefira alimentos leves, de fácil digestão e com um bom perfil nutricional. Carboidratos integrais, frutas, massas leves, barras de cereais, são boas pedidas. Mantenha boa hidratação, mas evite o excesso de líquidos para não ficar com vontade de ir ao banheiro”, completou o médico.

Facilite a evocação

O cérebro precisa encontrar as gavetas mentais para evocar o conhecimento. “Cada parte da prova versa sobre um universo peculiar. Uma dica é tentar evitar ficar pulando de uma matéria para outra sem necessidade, procure entrar em determinada matéria e encerrar as questões desse tópico. Outra sugestão é mentalizar, por alguns segundos, coisas relacionadas ao tema que você irá adentrar, o rosto dos professores da matéria, a capa da apostila ou livros, a visão dos temas básicos, etc. É um exercício mental de poucos segundos que leva o cérebro para o contexto correto e ajuda na evocação do conteúdo específico”.

Valorize sua intuição

Nem tudo é lembrança consciente ou raciocínio lógico. “Nosso cérebro trabalha com impressões por vezes dissociadas de linguagem e de rastro de lembrança. Chamamos isso de intuição ou insight, uma impressão subjetiva e desancorada de que algo está correto ou não, ocorrerá ou não. Na prova, na ausência de capacidade cognitiva de resolver conscientemente um teste, chute e arrisque baseado na impressão subjetiva e intuitiva inicial, a chance de acerto é maior. É muito comum trocar o chute por tentar racionalizá-lo e se arrepender depois”, enfatizou o especialista Leandro Teles.

Tribuna da Bahia