Alívio no bolso: Conta de luz: redução para os baianos será de 18,96%

    luz_conta_reducaoA conta de luz dos consumidores baianos vai ficar mais barata no próximo mês. Isso porque entrou em vigor ontem a redução estipulada pelo governo federal de 18,96% para os consumidores residenciais e 32% para o setor produtivo – os dados são referentes à Bahia. No país, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a redução média para as residências será de 20,2%.

    A notícia foi recebida com festa por consumidores como Agnaldo Barreto Santos, aposentado, que mora com a esposa em um apartamento de dois quartos. Hoje, sua conta de luz varia entre R$ 58 e R$ 63. Considerando o valor da fatura de R$ 63,31, Santos faria uma economia de R$ 12. Ou seja, pagaria uma conta de R$ 51,31.

    “É um desconto considerável. Acho bom para a classe mais baixa, onde uma diferença como essa é substancial”. A única preocupação do consumidor é que, com o desconto, não caia a qualidade do fornecimento de energia. Ele se preocupa também das pessoas quererem gastar mais agora com a energia  mais barata.

    “Que venha, mas que o povo não deixe de economizar para não termos um novo apagão”, alerta. Consciente, Santos nem sempre usa o chuveiro elétrico e o ar-condicionado em sua casa. “Temos aquele princípio da economia. Se não tem ninguém no cômodo, para quê deixar a lâmpada acesa?”.

    A presidente do Movimento das Donas de Casa de Salvador, Selma Magnavita, também recomenda que as pessoas não comecem a consumir mais energia por causa do desconto oferecido agora. “Os consumidores devem continuar economizando, para não termos que pagar a conta lá na frente”, diz Selma, fazendo referência a um novo apagão que o Brasil possa enfrentar.

    Medida 
    Vale lembrar que  só a partir do final de fevereiro  os consumidores vão passar a sentir o efeito total da medida, segundo o Ministério de Minas e Energia. Isso porque, para grande parte dos brasileiros, o efeito na conta que será recebida no mês de fevereiro vai ser parcial. A partir de 25 de fevereiro, porém, será completo.

    Apesar da medida, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, admitiu que a conta de luz dos brasileiros deve subir ainda em 2013, quando a Aneel votar o reajuste anual das distribuidoras. Esse reajuste vai incluir, além da inflação dos últimos 12 meses, também os custos adicionais com o uso das termelétricas, por conta da queda no nível dos reservatórios no final de 2012.

    Populismo 
    Para o diretor do Centro Brasileiro de Energia e Mudança do Clima e professor do curso de Engenharia Elétrica da Unifacs Osvaldo Soliano, a medida é bem-vinda, mas o governo federal deveria explicar melhor o cenário da matriz energética para a população.

    Para ele, a medida é populista, porque a produção da energia está sendo feita pelas usinas térmicas, e sai de cinco a seis vezes mais cara. Para garantir o desconto  prometido anteontem pela presidente Dilma Rousseff, o governo federal vai ter de desembolsar R$ 8,46 bilhões este ano.

    “É uma forma de não impactar a inflação, já que a gasolina tende a subir. Mas o consumidor deixa de pagar, para o contribuinte pagar”, explica Soliano sobre o valor que o governo federal deverá repor para as concessionárias.

    Outra preocupação do especialista é que as pessoas entendam a medida como um incentivo a consumirem mais. Ele lembra que todo um programa de eficiência energética e de apelo para que as pessoas economizassem mais pode ser perdido. “Acredito que a medida é bem-vinda para o setor produtivo, mas desestimulante para a população”.

    Para a coordenadora do mestrado em Energia da Unifacs, Luizella Branco, a medida é bem-vinda, já que as tarifas de energia são altas no país. “Vai ser interessante do aspecto financeiro e as pessoas vão poder usar mais equipamentos”. Para ela, mesmo com a conta mais barata, as pessoas não irão desperdiçar a energia elétrica, já que teriam adquirido mais consciência com o apagão vivido na passagem de 2000 para 2001.

    Brasil deixa de ser o 6º com energia mais cara e vai para 14º
    Uma medida da maior relevância e que melhorará a competitividade das indústrias brasileiras. É assim que o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), Reinaldo Sampaio, avaliou a redução de 32% nas contas de luz para o setor produtivo do país.

    “O Brasil tinha a 6ª tarifa de energia mais cara do mundo. O que era incompreensível, porque tem uma das gerações de energia mais baratas (hidrelétricas). Com a primeira redução anunciada (de 28%) já caíamos para a 14ª tarifa mais cara. Com o percentual de 32%, essa posição caiu um pouco mais”, analisa Sampaio, com base em estudos nacionais.

    Para a Bahia, que tem uma forte indústria de base, a medida ainda é mais relevante, porque esse tipo de indústria consome uma quantidade alta de energia. Sampaio ainda informou que de 2% a 15% do custo final dos produtos vinham do gasto com a energia. “Esse era um dos nossos principais fatores de perda de competitividade”, alerta o vice-presidente da Fieb. Com a medida, ele acredita que o desempenho da indústria baiana irá superar o esperado para 2013.

    Já a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo informaram que a economia média anual no país será de R$ 31,5 bilhões com o desconto. Em um prazo de 30 anos, as entidades projetam que a economia será de R$ 945 bilhões. Em nota, as entidades consideraram que a redução das tarifas é um passo importante para recuperar a competitividade.

    PSDB acusa Dilma de começar campanha para 2014
    O presidente nacional do PSDB, deputado federal Sérgio Guerra (PE), teceu duras críticas à presidente Dilma Rousseff, em nota divulgada ontem, acusando-a de fazer uso da máquina pública para promover o PT e sua candidatura vencedora nas eleições de 2012. De acordo com Guerra, ao anunciar a redução do valor nas contas de luz em rede nacional de rádio e TV, na quarta-feira passada, Dilma usou o espaço para atacar a imprensa e desqualificar a oposição.

    “Durante os oito minutos de divulgação obrigatória por parte das emissoras de rádio e TV brasileiras, a presidente Dilma faltou com a verdade, fez ataques a seus adversários, criticou a imprensa e desqualificou os brasileiros que ousam discordar de seu governo”, diz Guerra na nota, na qual classifica o pronunciamento como a “mais agressiva utilização do poder público em favor de uma candidatura e de um partido político”.

    “No governo do PT, tudo é propaganda, tudo é partidarizado. Nada aponta para o equacionamento verdadeiro dos problemas do país ou para uma solução efetiva”, prossegue o presidente do PSDB, que ressaltou que a redução da conta de luz já havia sido “prometida em rede nacional há quatro meses e alardeada em milionária campanha televisiva paga pelos contribuintes”.

    Por fim, Guerra afirma que Dilma precipita a disputa eleitoral de 2014, através de um “lançamento prematuro de uma campanha à reeleição, às custas do uso da máquina federal e das prerrogativas do cargo presidencial”. (Informações do Correio)