Após procurar 3 hospitais no Sul da Bahia, jovem tem filho na recepção e bebê morre

Adolescente gravidaO filho de uma jovem de 18 anos, que tinha sete meses de gestação, nasceu morto dentro da recepção do Hospital Manoel Novaes, em Itabuna, no sul da Bahia, depois dela ter procurado atendimento em duas outras unidades de saúde da cidade. A situação ocorreu na madrugada de segunda-feira (9) e a mãe acusa falta de atendimento médico.

De acordo com Arleiane dos Santos, a bolsa estourou por volta 22h de domingo (8) na cidade deIbicaraí, no município onde mora, a cerca de 40 km de Itabuna. No mesmo instante, ela diz que foi para o Hospital Arlete Maron, ainda na cidade, e não conseguiu o atendimento. “O médico disse que eu não poderia ser atendida lá. Ele perguntou se eu tinha atendimento de pré-natal. Disse que não. Ele nem me examinou, da porta mesmo voltou. Já tinha rompido a bolsa. Ele viu o meu estado com a toalha enrolada e perguntou: a bolsa rompeu? Eu disse: foi! E ele não fez nada”, denuncia.

Ao G1, o enfermeiro Ítalo Farias informou que o hospital é de pequeno porte e faz somente partos normais, que não sejam considerados de risco. No caso da jovem, considerado de risco, o médico encaminhou para Itabuna. Ela foi para a cidade vizinha de ambulância.

Arleiane dos Santos teve parto normal de um menino no Hospital Manoel Novaes. Segundo Lucas Ribeiro, testemunha do parto, enquanto o filho dele era atendido no hospital, percebeu que a mulher já esperava muito na recepção. “Ela chegou umas 23h30 e ficou até as 1h50 na recepção, quando o bebê começou a nascer. Eu vi quando a criança começou a nascer, as perninhas saíram, ficou de fora do quadril para baixo. A cabeça não saiu, ficou presa”, disse.

Dos Santos aponta que o médico do hospital de Ibicaraí não enviou o encaminhamento do caso para ser levado por ela para Itabuna, o que teria complicado a situação. Isto porque, na cidade, ela foi antes para a Maternidade Ester Gomes. Lá, a mulher conta que o plantonista fez exame de toque, mas disse que não tinha vaga na UTI neo-natal.

Quando chegou no Manoel Novaes, segundo seu relato, a enfermeira da unidade teria dito que não tinha recursos para crianças prematuras e, por isso, não prestou atendimento. Ela conta que, então, ficou sentindo dores até início do parto na recepção da unidade de saúde. A obstetra e médica plantonista realizavam um procedimento em outra gestante e, por isso, não a atenderam de imediato, conforme o seu relato.

Por meio de nota, a Santa Casa de Misericórdia (SCMI), responsável pela administração do hospital Manoel Novaes de Itabuna, informa que está averiguando a situação e dando todo o suporte necessário a paciente.

Não há confirmação se a morte foi causada pelo tempo de espera ou asfixia. O corpo do bebê não foi liberado para necropsia. A assistente social de Ibicaraí cuida do enterro. (G1/BA)