Arcebispo de Salvador admite casos de pedofilia na Bahia

RTEmagicC_arcebispo.jpgPelo diálogo e pela tolerância, mas também pelo fim do sincretismo. O arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, está na capital baiana há três anos, tempo em que maturou sua avaliação de que o sincretismo, traço cultural baiano símbolo da resistência histórica da repressão contra religiões de matrizes africanas, deve ficar no passado. “Eu não aceito, acho o sincretismo prejudicial para os dois lados”, disse.

Em entrevista na sua casa, em luxuoso condomínio na Federação, o arcebispo admitiu a existência de casos de pedofilia na igreja baiana, comentou o beijo gay na novela Amor à Vida e deixou clara que a posição do papa Francisco sobre a necessidade de a Igreja acolher os homossexuais não flexibiliza dogma que condena os gays. O líder religioso revelou que a Igreja Católica tem como meta seguir o que fizeram os evangélicos, e comprar tempo na TV para atingir a população que não vai aos cultos.

O papa falou da “vergonha” com a pedofilia dentro da igreja. O senhor já recebeu alguma denúncia aqui no Estado?
Há casos isolados. Não houve aquilo como aconteceu em países da Europa, em que havia quase uma cultura (da pedofilia). Aqui existe porque as pessoas que nós acolhemos no seminário são pessoas que vêm da sociedade, e trazendo todas as coisas boas, mas trazendo à vezes limitações. Então há a necessidade, e o papa tem insistido com nós, bispos, de cuidarmos muito do discernimento, para saber se tal pessoa tem condições. Mas tem pessoas que conseguem camuflar, tem outras que têm tendências que são escondidas, que se manifestam mais tarde. O que isso  mostra é que temos que valorizar mais as família. Porque grande parte de pessoas assim trazem traumas que depois se revelam em comportamento. São pessoas que trazem graves deficiências de formação, da vida familiar. Temos que trabalhar pela santidade, pela qualidade de nossas famílias. Quanto melhor a família, melhores serão os padres, políticos, industriais, professores.

Os casos daqui foram investigados? Como se procedeu?
Hoje as pessoas têm menos medo de ir procurar a Justiça, e tem caso de padres que foram presos. No julgamento, o juiz é até mais severo, porque há o agravante: quem é padre está exercendo um ministério que desperta confiança, então é um abuso maior da confiança. E a Igreja pode ate ajudar no sentido de colocar um advogado, porque se alguém não colocar o próprio Estado se sente na obrigação de colocar, mas não no sentido de pedir para o juiz não condenar. Depois, existe também um denuncismo. O mundo das fofocas é muito forte, se espalha rápido. Há uma necessidade de ter muito cuidado e não acreditar na primeira notícia, porque infelizmente o coração humano é vingativo e às vezes as pessoas não se preocupam em roubar do outro o que cada um tem de mais precioso, que é o bom nome. Quando há denúncia, temos que ir atrás, averiguar. Se for comprovado, temos que ser os primeiros a denunciar em termos de Igreja e essa pessoa perde o estado clerical.

Sabe quantos casos houve na Bahia?
Não. Muitas vezes corre em segredo de Justiça não pelo padre, mas pela criança. Eu, aqui em Salvador, não tive, sei que houve no passado aqui, mas não saberia dizer números.

Veja a entrevista completa no Correio 24 Horas