Austados com aumento da violência, médicos temem ataques em hospitais na Baianos

650x375_mortes-pacientes-hgca-feira-de-santana-bahia_1405879A direção do Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb-BA) encaminhou, nesta segunda-feira, 14, um ofício à Secretaria da Segurança Pública (SSP-BA) para pedir mais segurança nas unidades hospitalares.

A iniciativa surge dois dias após um paciente ter sido assassinado dentro de enfermaria do Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA), em Feira de Santana (a 108 km de Salvador).

Conforme o presidente do Cremeb-BA, José Abelardo de Meneses, o ofício foi encaminhado, também, para as secretarias municipal e estadual da Saúde, além do Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA). Há um mês, ainda segundo o conselho, haviam sido enviados ofícios para os referidos órgãos.

O assassinato, segundo divulgou a assessoria de comunicação do Cremeb, “denuncia de forma brutal a falta de segurança nas unidades de saúde”. “Com o ofício de hoje (ontem), reiteramos os anteriores, pedindo que a onda de violência nas unidades seja contida”, destacou Meneses.

Dois homens conseguiram entrar no HGCA, no último sábado, e mataram a tiros o paciente José Fabrício Lima dos Santos, 32. A vítima estava em companhia da mãe, de outros pacientes e de profissionais de saúde. Os criminosos fugiram.

Procurada por A TARDE, a assessoria de comunicação da SSP-BA respondeu apenas sobre a ocorrência de Feira de Santana. Por meio de nota, informou que os hospitais estaduais “possuem postos policiais, mas que não é atribuição dos policiais lotados nessas unidades controlar o acesso de pessoas nos referidos estabelecimentos, atividade realizada por seguranças de empresas privadas”.

Segundo a SSP-BA, apenas custodiados pela polícia ou acusados de crimes feridos em confrontos são acompanhados por policiais.

Pedido de ajuda

Ainda segundo Meneses, desde 2012, entidades médicas baianas procuraram a SSP-BA.

“Em 2012, levamos um dossiê pedindo providências, mas as queixas de violência continuam. Não é incomum médico sair da unidade para prestar queixa em delegacia”, acrescentou.

No dossiê, Meneses destaca três casos: o do 16º Centro de Saúde, em Águas Claras; a unidade de pronto atendimento de Areia Branca; e o Instituto de Perinatalogia da Bahia (Iperba).

“Em Areia Branca, uma médica narrou que um grupo de homens armados tentou levá-la para atender alguém que estava fora da unidade, mas ela se negou a ir. No Iperba, homens armados forçaram uma médica a indicar cesariana. Já no 16º, todas as pessoas fugiram quando um homem armado chegou ao local”, ressaltou o presidente do Cremeb-BA.

Parceria

“A gente quer reforço policial 24 horas nessas unidades e controle de entrada e saída”, disse Meneses. Na reunião, segundo ele, o titular da SSP-BA, Maurício Barbosa, teria proposto fazer uma parceria com o município, para desenvolver um projeto de segurança conjunta.

“No Hospital Roberto Santos, já tivemos assaltos no estacionamento”, frisou o presidente do Sindicato dos Médicos do Estado da Bahia (Sindimed), Francisco Magalhães.

A Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) foi procurada, mas, até o fechamento desta edição, não atendeu à solicitação. (A Tarde)