Baiana que abandonou filho autista em shopping de SE alegou não ter dinheiro para cuidar

meninoA mãe do menino de 12 anos, abandonado em um shopping de Aracaju, prestou depoimento na tarde desta sexta-feira (1°) na Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Contra Criança e Adolescente (Derca), em Salvador.

De acordo com a delegada Janice Muti, a mulher que mora na cidade de Amargosa, a cerca de 250 km da capital baiana, contou que abandonou o filho porque passa por problemas psiquiátricos e financeiros.

“Ela disse que o processo de abandono ocorreu porque ela não tinha condições financeiras de manter a criança com a pensão que o pai do menino paga. Disse que o valor é irrisório e ele [menino] é uma criança que necessita de cuidados especiais, estudar em uma escola especial e por conta disso ela estava passando dificuldades. Além disso, alegou ter problemas psiquiátricos”, conta a delegada.

A mãe do garoto ainda disse para a delegada que não sabe onde o ex-marido mora e que está com depressão desde que se separou. O menino permanece no abrigo na Zona Norte da capital sergipana até que o caso seja resolvido, conforme informações da prefeitura de Aracaju.

Investigação
A delegada do Departamento de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAGV), Lara Schuster, detalhou na quinta-feira (31), em entrevista coletiva em Aracaju, as investigações relacionadas às buscas pelos familiares do menino diagnosticado com autismoo.

De acordo com a delegada, o responsável pela Associação dos Amigos do Autista da Bahia (AMAs) procurou a polícia devido à grande repercussão do caso nas redes sociais, revelando que havia dados de uma criança com as mesmas características do menino.

Lara Shuster destaca que após essa informação, a mãe da criança foi localizada na cidade de Amargosa, na Bahia. Já o pai reside emSalvador. Ainda de acordo com ela, os pais estão separados e ele não sabia que a criança estava abandonada.

As investigações apontam também para um possível surto psicótico da mãe na sua estadia na capital sergipana. “A mãe tem um histórico de acompanhamento psicológico após a separação. Acabou se isolando da família e tomou para si a criação do filho. Aparentemente não está em condições de ficar com o garoto”, reforça a delegada.

A prefeitura de Aracaju informou que o menino permanece no abrigo na Zona Norte da capital até que o caso seja resolvido. Já o poder judiciário sergipano não quis se pronunciar, por que o processo corre em segredo de Justiça.

G1/BA