Bolsonaro recusou 11 vezes ofertas para compras de vacina

O governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) recusou 11 ofertas formais de fornecimento de vacinas contra a Covid-19. Todas as propostas foram ignoradas pelo Ministério da Saúde. Segundo o G1, o número leva em conta apenas os episódios em que há comprovação documental.

A omissão da gestão Bolsonaro já é de conhecimento dos senadores que vão compor Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia, também conhecida como CPI da Covid-19, que iniciou às 10h desta terça-feira (27), no Senado Federal.

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Foto reprodução

Este número pode aumentar. Isso porque o objetivo da CPI é apurar eventuais omissões do governo federal no combate à pandemia. Ou seja, pode mostrar quantas vezes Bolsonaro disse não a única forma, até agora, de evitar o coronavírus.

CoronaVac, do Instituto Butantan
Das 11 recusas conhecidas, que podem ser provadas com documentos, seis são referentes à CoronaVac, desenolvida no Instituto Butantan. O imunizante, defendido pelo rival de Bolsonaro, o governador João Doria (PSDB-SP), deu início a chamada “guerra das vacinas”, protagonizada pelos dois.

De acordo com o G1, há três ofícios assinados pelo diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, oferecendo o imunizante.

1º ofício

O primeiro, datado de 30 de julho de 2020, ficou sem resposta.

2º ofício

O segundo, de 18 de agosto de 2020, também ficou sem resposta por parte do governo federal.

3º ofício

O terceiro documento foi entregue pessoalmente, em 7 de outubro de 2020, por Dimas Covas ao então ministro da saúde, o general Eduardo Pazuello.

Videoconferência
Mesmo assim, de acordo com o G1, não obtendo respostas, o Instituto Butantan realizou três videoconferências com integrantes do Ministério da Saúde para fazer a oferta, mas nada adianotu.

De acordo com o G1, os documentos com as provas da sabotagem do governo federal à CoronaVac já estão separados numa gaveta do Instituto Butantan, aguardando apenas um pedido formal da CPI para serem entregues.

Não à Pfizer
Há ainda mais três ofertas formais feitas pelo laboratório Pfizer. A primeira delas foi feita em agosto de 2020, quando a farmacêutica colocou à disposição do Brasil 70 milhões de doses para serem entregues em dezembro.

As outras duas ofertas formais, feitas através de documentos, foram confirmadas pelo laboratório, de acordo com o G1.

Segundo o ex-secretário de comunicação, Fabio Wajngarten, como o Ministério ignorava as propostas, exatamente como fez com o Butantan, ele próprio abriu as portas do Palácio do Planalto para uma negociação formal com o presidente da República e o ministro da Economia, Paulo Guedes. Também não andou.

Não à Covax Facility
Para o senador Randolfe Rodrigues, autor do requerimento da CPI, há pelo menos duas vezes que o governo Jair Bolsonaro se recusou a participar consórcio da Covax Facility.

Segundo o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, o Brasil só aderiu no terceiro convite para aquisição de 212 milhões de doses.

O acordo era visto pelo Ministério das Relações Exteriores como uma atitude globalista, portanto nociva ao país. O número de doses foi reduzido a pedido do governo brasileiro.