Campanha política gera emprego e vira grande oportunidade para ganhar dinheiro

RTEmagicC_kiteleicoes.jpgSabe a moça que sacode a bandeira na caminhada do candidato? Ela recebe por isso. Sabe os santinhos, adesivos e placas que você vê espalhados pela cidade? Custaram para ser feitos. E o jingle, que de tanto ouvir na rua você já decorou, também não foi de graça. As eleições movimentam um enorme mercado e são oportunidades para muita gente ganhar dinheiro. Em todos os níveis sociais.

Os donos de gráfica, por exemplo, andam tendo muitos motivos para sorrir. “O mercado gráfico é um mercado que se aquece. As impressões de cartazes, santinhos, perfurados exige a contratação de pessoal a mais”, lembra o coordenador da campanha de Paulo Souto (DEM), o democrata José Carlos Aleluia (DEM). também candidato a deputado federal.

Ele se refere ao que o empresário Pedro Dourado, dono da Uranus, consegue quantificar. “Ainda é prematuro dizer quanto cresceu, mas nos anos anteriores, a demanda aumentou entre 30% e 40%, e contratamos provisoriamente 10% a mais de funcionários”, conta. Mas quem se animou para conseguir uma vaguinha por lá, é melhor deixar para as próximas eleições.

“Como há uma dificuldade de mão de obra, temos que  qualificá-la e treiná-la antes de começar o trabalho, então não dá pra contratar em cima da hora”, explica Dourado, que centralizou toda a produção política na unidade de Lauro de Freitas.

Na Uranus, há cerca de 50 itens que podem compor o kit político, mas os mais vendidos são: o  adesivo perfurado para carro  (R$ 22 a unidade), o adesivo ‘praguinha’ (R$ 60 o milheiro) e o santinho (R$ 14,50 o milheiro). Os valores podem variar de acordo com os tamanhos e as quantidades. Para plotar um carro inteiro, independente de qual seja, o candidato tem que desembolsar R$ 270.

Comunicadores
Para os profissionais de comunicação, também é uma época para ganhar dinheiro. “Montamos uma equipe de comunicação com redatores, criação, jornalismo, redes sociais, produtora de vídeo, áudio… em torno de 55 pessoas”, conta Marcos Brazão, coordenador da campanha da candidata ao Senado Eliana Calmon (PSB), fazendo a ressalva de que o orçamento ainda é bem menor do que o de uma campanha para governador.

A alta demanda por profissionais inflaciona o mercado, o que acaba sendo um problema para os jornais e agências de publicidade. “Perdemos muitos profissionais em período de campanha política. Minha diretora de criação pediu licença sem remuneração pra fazer campanha em outro estado, então tive que contratar um free lancer”, contou a diretora de planejamento da Federação Nacional das Agências de Publicidade, Vera Rocha Dauster.

Segundo ela, isso acontece porque a remuneração das campanhas é muito atrativa. “Depende da campanha, mas eles saem para receber, no mínimo, o dobro”, estima. Mas muito dinheiro também é sinônimo de muito trabalho. “A pessoa já entra sabendo que não tem domingo, feriado nem hora para sair”.
carros André Curvello, coordenador da campanha do candidato ao governo Rui Costa (PT), lembra ainda de outros setores.  “Tem os carros de som, que a gente aluga nas cidades e os carros mesmo, com o motorista da própria locadora”.
Conhecido como Dentinho, o sócio da Aldente Comunicação e Eventos, Anderson Rosemberg, é um dos que aproveitam o período para ganhar dinheiro com o aluguel de veículos. “Locamos Doblôs, que têm muita saída para campanha, por ter uma função mista. Leva equipamentos e pessoas”, explica. Na empresa dele, cada uma custa R$ 5,5 mil por mês, incluindo o motorista.

Dentinho também trabalha com gravação de programas eleitorais. Custa R$ 400 mil para fazer todos os candidatos da coligação. “Temos a estrutura do estúdio, duas salas de produção, um camarim, um profissional de serviços-gerais, dois seguranças, um diretor de fotografia, produtor de campo, um câmera e coordenação”, enumera.   Ele, que durante o ano foca em eventos corporativos, costuma contratar cerca de dez funcionários a mais em período eleitoral.

O candidato que preferir gravar o seu programa avulso tem a opção de fazer numa produtora menor, como a ArtCam. O diretor Fernando Mota diz que já fez muita campanha nesses 21 anos de existência. O valor: R$ 1,5 mil por um “3X4”, que é quando o candidato apenas se apresenta e diz uma proposta rapidamente. “Mas o pagamento é adiantado”, avisa.  “Se deixar para depois é difícil, políticos são muito sabidos”, brinca.

E tem ainda o pessoal da campanha de rua. “A gente conta com a militância, mas quando não tem militância, tem que contratar”, conta Antônio Carlos Tramm, um dos coordenadores da campanha da candidata Lídice (PSB). “Tem o pessoal que fica olhando as placas na rua, pra ninguém danificar, o pessoal que pinta muro, o que fica nos comitês…”, enumera ele. Tramm calcula que, em média, essas pessoas recebem em torno de R$ 700 a R$ 1 mil por mês para estas atividades. Em geral, elas chegam por indicação de deputados ou líderes comunitários “Ninguém pega à toa, tem que ter um mínimo de referência e comprometimento com o candidato. Senão vai entregar folheto de dez em dez, para acabar logo”, explica o coordenador. (Fonte: Correio 24 Horas)