Cemitério de Euclides da Cunha vira lugar de despacho

camiterioA colocação, despacho, farofa, vela, ave e até bebida alcoólica na porta do cemitério, tem revoltado a comunidade euclidense.
Usar a calçada, porta ou a área interna de um cemitério para colocar oferendas que supostamente venham a tirar do corpo ou da cabeça coisas que lhes atormentam, não é o meio mais adequado, nem indicado, nem mesmo uma boa ação, mesmo com a melhor das intenções por parte de quem pratica.

O campo santo é um lugar sagrado. É lá que muitos descansam e, em algum dia, por algum motivo, todos nós viventes descansaremos eternamente e iremos usufruir do sono perpétuo daqueles que ali chegaram primeiro do que nós. Por isso, não fica bem na fita, quem usa esse pedaço de terra sagrada para colocar ‘despachos’ como este que ilustra esta reportagem, flagrado nas primeiras horas da manhã da última terça-feira (1º).

Seria de bom alvitre que curandeiros, conselheiros espirituais, pais de santo que trabalham com oferendas, orientar aos seus “pacientes” para evitar colocar despachos na porta do cemitério, pois aqueles que descansam em paz, certamente não bebem, não fumam cigarro ou charuto, não comem galinha, galo, frango, farofa, não bebem cerveja, nem mesmo aquela que não estufa, segundo um comercial de TV.

É bom lembrar que esta reportagem não é contra a prática de qualquer tipo de religião, crença, etc. E para quem não sabe, o Brasil é um país laico e a sua Constituição da República Federativa de 1988, em seu artigo 5º, inc. VI, garante a inviolabilidade, liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantia na forma da lei, a proteção aos locais de culto e as suas liturgias. Mas, convenhamos o Cemitério não é o lugar mais adequado para “pagamento antecipado do favor que se espera de Exu, que levará o recado a determinado orixá”.

Para que ações desse tipo não se repita, a Prefeitura Municipal, responsável pela administração da necrópole deve adotar medidas cabíveis para evitar constrangimentos de pessoas que ali vão sepultar ou visitar entes queridos e se deparem com um cenário que constrange e choca.

Fonte: José Dilson/Euclidesdacunha.com