Cerca de 100 cientistas que buscavam a cura da AIDS estavam em avião abatido na Ucrânia

RTEmagicC_dcd9a05c7d.jpgA queda do avião da Malaysia Airlines ocorrida nesta quinta-feira (17) chocou o mundo e abalou o mundo da Ciência. Entre as 295 pessoas, estavam cerca de 100 cientistas e ativistas a caminho da Conferência Internacional sobre a Aids, prevista para começar neste domingo (20) na Austrália.

Dentre os mortos, estava o holandês Joep Lange, de 60 anos, reconhecido como um dos maiores especialistas sobre a doença no mundo. O cientista dedicou cerca de 30 anos da sua vida às pesquisas sobre o vírus HIV e à Aids. Ele ficou mundialmente conhecido por defender a diminuição dos custos do tratamento para os países mais pobres.

RTEmagicC_308ccc1361.jpgPioneiro nas terapias mais acessivas da doença, Lange estava voando para Kuala Lumpur, onde encontraria sua mulher para um voo de conexão à Austrália. Junto dele, estavam cerca de 100 pessoas que seguiam em direção à conferência. Em entrevista a uma rede australiana, Trevor Stratton, um consultor sobre a doença, disse: “A cura da Aids poderia estar a bordo daquele avião, simplesmente não sabemos”.

“E se a cura da Aids estivesse naquele avião?”, questiona Trevor Stratton, pesquisador canadense que também participa da 20ª Conferência Internacional do HIV na Austrália – evento do qual os mais de 100 pesquisadores e ativistas que morreram na queda do voo MH17 da Malaysia Airlines iriam participar.

“Não temos como saber. Haviam alguns cientistas de proeminência que estavam estudando isso há muito tempo. Nós estamos cada vez mais próximos de vacinas, e falando cada vez mais sobre a cura e o fim da Aids,” lamentou Stratton em uma entrevista para uma emissora australiana.

“Eu não tenho palavras para expressar a minha tristeza”, disse o co-presidente da conferência na Austrália, Françoise Barre-Sinoussi, ganhadora do prêmio Nobel em 2008 pela descoberta do HIV. “Por favor deixe que todos estejam errados – tanto heróis da luta contra o HIV no MH17 – e a perda de Joep Lange é devastadora”, disse o ganhador do prêmio Pulitzer Laurie Garret.

A conferência não será cancelada apesar das mortes.

Com informações do *Correio e da Revista Galileu.