Cidades do interior geram mais empregos formais que regiões metropolitanas

empregosUma noticia publicada na mídia, na semana passada, causou grande surpresa entre aqueles que não costumam acompanhar os dados sobre mercado de trabalho. Segundo a pesquisa do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, em 2013, pela primeira vez em oito anos, as cidades do interior geraram mais vagas de empregos com carteira assinada do que as regiões metropolitanas, que costumam concentrar a maior parcela da atividade econômica dos estados.

É importante ressaltar que não estamos falando do estoque de empregos, ou seja, da quantidade total de empregos formais existentes. Se este fosse o caso, certamente o título da coluna seria outro pois, evidentemente, não há como se comparar a dimensão do mercado de trabalho das regiões metropolitanas com o das cidades do interior. Para usar uma metáfora de fácil compreensão, seria como  compararmos as vagas existentes com um tanque cheio de água.

O nível de água deste tanque representa o tamanho da economia formal e, consequentemente, a quantidade de pessoas ocupadas; já o fluxo da torneira, corresponde ao incremento de novas vagas que esse mercado está tendo e que, consequentemente, fará subir o nível do tanque. Em 2013, as cidades do interior de nove estados, e dentre eles a Bahia, geraram 340,8 mil novos postos de trabalho, contra 211 mil, abertos nas capitais e regiões metropolitanas.

Também é interessante observar que essas novas vagas não estão relacionadas ao agronegócio, unicamente, como costuma acontecer nestas regiões. Surgiram oportunidades no comércio, serviços, indústria e na construção civil. Mas o que poderia justificar esse cenário? De há muito se observa, é claro, o crescimento das cidades médias e o desenvolvimento de novas alternativas econômicas fora dos grandes centros, a exemplo da dinamização criada com a chegada das novas universidades, projetos de infraestrutura, de alguns empreendimentos industriais esparsos, do agronegócio e do turismo.

Todavia, atribui-se ao aumento da renda da população, através do incremento verificado no valor real do salário mínimo, o grande impulso sentido por essas pequenas economias. Ora, explicam os especialistas debruçados sobre esses dados, o aumento no consumo gera um efeito multiplicador de renda e impulsiona a abertura de novos negócios que, por sua vez, empregam mais pessoas. Trata-se de um ciclo virtuoso de crescimento. Como todos sabemos, as cidades do interior, notadamente na Bahia, são muito dependentes do salário mínimo, tanto por parte da força de trabalho ativa, como do contingente beneficiário da previdência social.

Vivemos em um estado de grandes dimensões. Com seus 417 municípios, a Bahia é maior que muitos países. Independente das razões que motivem esse movimento positivo do mercado de trabalho do interior, é importante que observemos esse fenômeno e percebamos que há muitas oportunidades para além de Salvador. Essas oportunidades podem se apresentar como vagas formais ou – e aí acredito que estejam as alternativas mais interessantes – como possibilidades de criação de novos negócios que visem atender à crescente demanda por produtos e serviços destas cidades.

Sempre insisti com meus alunos para que expandissem os seus horizontes. No interior, há muito o que se criar, o que fazer. E, de quebra, podemos ser presenteados com uma qualidade de vida que não é mais possível encontrar nas grandes metrópoles. Pensem nisso!

Profa. Dra. Carolina Spinola
E-mail: valorh@valorrh.com.br
Consultora da Área de Negócios da ValoRH. Administradora, com mestrado em Administração e Doutorado em Geografia, com ênfase em Desenvolvimento Regional. Professora Universitária e Coordenadora de Curso de Pós-Graduação.