Como Love saiu de “tremenda furada” a artilheiro corintiano no Brasileirão

vagner-love-comemora-apos-marcar-para-o-corinthians-em-partida-contra-o-palmeiras-neste-domingo-6-pela-serie-a-do-campeonato-brasileiro-1441573710988_615x300Em um dia, apontado como uma ” contratação furada” e vaiado ao deixar o gramado. No outro, aplaudido e sendo questionado até se sonha com a seleção brasileira. Vagner Love é um dos grandes exemplos de redenção no Corinthians que caminha a passos largos para ser campeão Brasileiro.

O atacante demorou a emplacar, chegou a ser afastado por Tite e precisou driblas pressões como a de ser revelação das categorias de base do arquirrival, o Palmeiras, e de substituir um ídolo da torcida, o peruano Paolo Guerrero.

Hoje com 12 gols e o posto de artilheiro do Corinthians no Brasileirão, o atacante ri à toa e já planeja a volta olímpica em Itaquera se vencer o Coritiba no sábado. Durante esta semana, diversos programas de televisão debatiam se Love foi a melhor contratação do ano entre os corintianos e até se ele merecia sonhar com a seleção.

Uma sombra peruana e outra palmeirense
Vagner Love foi anunciado pelo Corinthians no dia 06 de fevereiro e já começou sob pressão. Primeiro, porque chegou com a missão de substituir Paolo Guerrero, ídolo do clube e autor do gol na final do Mundial contra o Chelsea. Segundo, porque foi revelado pelas categorias de base do arquirrival Palmeiras, o que sempre impõe um peso extra nos reforços alvinegros. O fato do time gastar um alto valor de salário com o camisa 99, no mesmo momento em que a torcida via um ídolo do clube ir embora, também pesava contra. Além disso, o próprio atacante admitia que precisaria superar uma difícil herança de temporadas no futebol chinês, onde o ritmo de treino e a qualidade técnica das atividades são menores.

vagner-love-cai-no-gramado-durante-jogo-do-corinthians-pelo-brasileirao-2015-1435454647168_615x30013 é o número do azar?
Como se não bastasse as dificuldades naturais de readaptação ao futebol brasileiro, Vagner Love não teve um início animador. Foram 13 jogos (entre titular e reserva) para conseguir marcar o primeiro gol, contra o Bragantino, pelo Paulistão, no dia 29 de março. Durante todo o período, ele conseguiu atuar apenas por duas vezes como titular nos 90 minutos. Sua forma física começava a ser questionada e o peso de substituir Guerrero era nítido em todas as vezes que o torcedor precisava falar seu nome.

Alguém precisa receber a culpa
Como gosta de falar Tite, o coletivo ressalta a individualidade. E, entre a segunda quinzena de abril e a primeira de maio, o Corinthians, como um todo, não viveu um bom momento. Foram duas eliminações: uma para o Palmeiras, na semifinal do Paulista, dentro de casa, e outra para o Guarani, até então desconhecido, na Libertadores. A torcida passou a procurar culpados da má fase. Love foi um dos mais xingados e vaiados.

Afastado do grupo
O mau momento dentro de campo forçou Tite a tomar algumas decisões para tentar recolocar o Corinthians na rota certa. Uma das atitudes foi afastar Vagner Love. No dia 22 de maio, o comandante anunciou que ele treinaria separado do grupo para recuperar a melhor forma física. Ser relacionado era o novo objetivo do jogador.

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Depois de ficar afastado entre os dias 22 de maio e 2 de junho, Love voltou a ver seu nome nas convocações para o jogo. O atacante entrou com a bola rolando contra Grêmio e Joinville, não conseguiu desencantar, mas já animou a comissão técnica com a movimentação em campo. Veio, então, a primeira fase artilheira de Love. Nas rodadas 7, 9 e 10 do Brasileirão, foram três gols decisivos em vitórias apertadas do Corinthians: 2 a 1 contra o Internacional, 2 a 1 contra o Figueirense, e 2 a 0 contra a Ponte Preta. A esperança de “amor no ar” era crescente.

hoje não! Hoje não?
Depois dos três gols em quatro jogos, Love conseguiu mais uma grande sequência como titular no Corinthians. A expectativa, no entanto, foi completamente diferente da realidade. Foram seis jogos consecutivos como titular, mas sem gol em nenhum deles. Em apenas uma ocasião, no 3 a 0 contra o Flamengo, ele atuou pelos 90 minutos. Depois disso, foram mais três gols no banco do início ao fim, sem nenhuma chance. Love estava esquecido mais uma vez.

Azar de um, sorte de outro
Luciano vivia seu momento de auge após o retorno dos Jogos Pan-Americanos. Contra o Avaí, ele fez dois golaços na vitória de sua equipe fora de casa, por 2 a 1. Na rodada anterior, já tinha ido bem e fez dois na difícil vitória por 4 a 3 contra o Sport. Durante a semana, ele foi a manchete dos jornais, iniciou as conversas pela renovação de contrato e, quando caminhava para sua melhor sequência da carreira, teve a grave lesão no joelho no confronto de ida das oitavas da Copa do Brasil, contra o Santos. Resultado: seis meses longe dos gramados. “Sobrou” para Vagner Love voltar a ser titular.

Na 20ª rodada do Brasileirão, Vagner Love, então, voltou a ser titular. Era uma reestreia para o atacante. E foi boa em todos os sentidos. O atacante jogou por 86 minutos, fez dois gols e deixou o gramado completamente aplaudido. Foi o seu melhor jogo desde a sua chegada.

“A gente fica emocionado. A mesma torcida que vaia é a que aplaude e eu sabia que uma hora isso ia chegar. Entrei muito concentrado e sei da minha qualidade, do meu futebol. Não desaprendi a jogar bola”, disse ele na época.

Gol? Para que gol?
Love, então, passou a ter mais confiança e começou a ter paciência da torcida. Foram mais 11 jogos com apenas três gols marcados (Chapecoense, Palmeiras e Joinville), mas com a justificativa que ele fazia um papel tático importante. Mesmo não tocando na bola e não finalizando tanto, o atacante passou a ser elogiado por buscar a bola, por ocupar os zagueiros adversários e parou de ver seu nome sempre relacionado a notícia ruim. Não à toa, jogou os 90 minutos de sete dos 11 jogos dessa sequência.

“No começo, quando eu errava, a torcida vaiava. Hoje os gols tão saindo, eu recebo o carinho do torcedor. Temos de estar concentrados para fazer o melhor. Torcedor quer a gente o tempo todo no ataque, mas tem hora que temos de tocar a bola e segurar. Torcedor age com coração. O nosso está de parabéns pelo o que vem fazendo na Arena. Temos de retribuir”, afirmou Vagner Love.

Love is in the air (O amor está no ar)
Com seu papel tático já definido, Love passou a cumprir o que era esperado dele: gols. Foram quatro gols em três jogos: dois contra o Atlético-PR em plena Arena da Baixada, o gol da vitória contra o Flamengo (e vaias para Guerrero), e outro belo tento no importante triunfo por 3 a 0 contra o Atlético-MG. A média fez Love responder perguntas que ninguém imaginava no início do ano. Você foi a melhor contratação do ano do Corinthians? Você acha que já merece uma vaga na seleção?

“Fico feliz de estar vivendo esse momento, estar na fase boa do Corinthians e na minha fase boa depois de tudo o que aconteceu. Em momento nenhum abaixei a cabeça, segui trabalhando porque sabia que as coisas iam mudar para melhor. A reta final está sendo boa”, completou o atacante em sua última coletiva de imprensa.

Com informações e fotos do Uol/Esporte