A comovente história do pastor que fez oração por seu assassino antes de morrer

001Minutos antes de ser baleado, o pastor presidente da igreja evangélica Assembleia de Deus Ministério Missão sem Fronteiras, em Belford Roxo, Marco Aurélio Bezerra de Lima, de 48 anos, fez uma oração pelo seu assassino. A informação é do pastor de uma filial da igreja, David Silva, que disse que era para estar com o amigo no momento do crime. Marco Aurélio foi morto enquanto fazia uma evangelização de traficantes na entrada da favela Gogó da Ema, em Belford Roxo, na tarde do dia 11 de Novembro. O religioso foi enterrado no sábado, dia 12, às 17h, no Cemitério da Solidão, em Belford Roxo.
David conta que fazia esse trabalho de evangelização em comunidades, há 15 anos, com Marco Aurélio, que tinha uma casa de recuperação para viciados em drogas no município.
De acordo com David, Marco Aurélio, que era conhecido pela bandidagem da cidade pelo trabalho que fazia, estava no carona de um carro dirigido por um amigo, identificado como Wilker, quando foi abordado por um traficante visivelmente drogado e que não o conhecia. Marco Aurélio teria se identificado como pastor evangélico, conversado com o criminoso e feito uma oração por ele. Em um momento, a vítima, que recentemente fez uma operação na perna esquerda, teria se abaixado para coçar a perna e pegar uma muleta, quando o suspeito teria se assustado, possivelmente confundindo o objeto com uma arma, e baleado o pastor. O tiro atingiu o tórax de Marco Aurélio, que chegou a ser levado pelo Corpo de Bombeiros para o Hospital Municipal Jorge Júlio Costa dos Santos (Joca), mas já teria chegado na unidade sem vida.
Assassino é preso

Dois dias após o crime, um adolescente suspeito de ter atirado e matado o pastor Marcos Lima foi detido, ele já havia sido apreendido três vezes por tráfico e associação com o tráfico. A última vez foi em junho, mas o jovem nunca ficou mais do que vinte dias em uma institutição. Ele foi ouvido no dia (14), na Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF).

A mãe do adolescente entregou o próprio filho à polícia com medo de que ele fosse morto por traficantes em represália ao assassinato do pastor. Segundo a delegado Leandro Costa, o menor confessou ter atirado no pastor com uma pistola de uso restrito da polícia. No depoimento ele também disse que achou que o pastor era um policial.

” Estava [o pastor] mostrando umas fotos de outros traficantes que trabalharam com ele no trabalho de recuperação só que num dado momento ele olhou para dentro do carro que o pastor estava e viu um objeto preto brilhoso e ele achou que era um fuzil e achou que o pastor era um policial. Então ele pegou a arma e já efetuou os disparos contra o pastor sem falar nada”, disse.

O objeto preto brilhoso era a bengala do pastor. O delegado afirmou que o adolescente não demonstrou arrependimento. E que a mãe dele é quem está sofrendo muito.

Ela convenceu o filho a se entregar e telefonou para  a Polícia Militar, que mandou uma equipe buscar o jovem na casa da família, em São João de Meriti, também na Baixada Fluminense.

” Está bastante abalada, está bastante preocupada, está tomando as dores pela conduta do filho. Gostaria de encontrar a família do pastor para pedir desculpas. Ele estava muito tranquilo, muito calmo, narrou todos os fatos com detalhes, mas em nenhum momento se mostrou arrependido”.