Comprar carro novo financiado está mais difícil

novo_escolhaAs dificuldades estão aumentando para quem pretende financiar um veículo novo. Se antes, bastava apresentar comprovantes de renda e residência, agora a situação é diferente.

Com a alta no índice de inadimplência, os critérios para financiamento foram alterados, resultando na queda de empréstimos para compra de veículos, considerada a pior dos últimos dois anos. Por consequência, a venda de automóveis também apresentou uma queda de 0,8% nos licenciamentos do primeiro trimestre deste ano.
De acordo com dados da LCA consultoria, durante última avaliação, feita em abril deste ano, foi constatado que os bancos concederam R$ 352 milhões em financiamentos – pior número, desde dezembro de 2009. Já o Banco Central (BC) avaliou a inadimplência do comprador e verificou que, no mesmo mês, foi registrado o 5,7% de inadimplentes, configurando-se como maior percentual da história.

Diante destes números, bancos, financeiras e revendedoras de veículos mudaram critérios de avaliação de créditos. “Os bancos ficaram mais restritos e cautelosos. No momento da análise estão sendo feitas perguntas antifraudes e, alguns deles, ainda solicitam cópia da carteira de habilitação, pois foi verificado que, 80% das cobranças de veículos são feitas para pessoas que compraram carro para terceiros”, explicou Andreia Costa Vale, gerente de financiamento da Vavá Financiamentos.

O autônomo, Marlon de Carneiro, 31 anos, é um dos inadimplentes, registrados pelo Banco Central. Segundo ele, as parcelas do veículo Gol, comprado em 2010, não puderam ser quitadas por problemas de saúde com a mãe e ele teve que pagar com “alienação fiduciária” – devolução do veículo. “Financiei o carro em várias parcelas, mas quanto estava na quinta, minha mãe adoeceu e gastei muito com o tratamento dela. Certa vez, quando estava voltando do trabalho, foi notificado e tive que devolver o veículo”, contou.

Preocupado com esta possibilidade, o motorista Arnaldo Bispo, 45, ainda paga o boleto do Corsa, comprado há um ano, e investe em “adiantamentos de parcelas” para não se endividar. “Sempre paguei a primeira e a última parcela, de vez. Assim economizo dinheiro e deixo meu carnê em dias”, ensinou.

Situação deve melhorar

Em 2009 e 2010, sete dos 10 pedidos de empréstimos eram aprovados, este ano a proporção caiu para cinco. Sobre a rigorosidade de critérios na aprovação de créditos, o presidente da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef), Gilson Carvalho, declarou, em entrevista ao G1, que o problema não é que falta dinheiro para empréstimos. “Mas queremos ver se as prestações podem ficar mais baixas. Outro ponto é ter a certeza de que vamos receber”, disse.

Na tentativa de reanimar o mercado de venda de automóveis, as taxas de financiamento foram reduzidas 0,01% ao mês pelos bancos, porém a previsão de aumento de créditos de financiamentos é esperada a partir deste mês. A previsão da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) é que as vendas no mercado interno cresçam 5% neste ano, somando 3,8 milhões de automóveis.

Em entrevista concedida à Agência Brasil, o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, disse que “boa parte” da inadimplência do segmento de veículos ainda é reflexo do crescimento do crédito no segundo semestre de 2010. “Os prazos eram mais longos, as condições eram mais favoráveis”, destacou. (Tribuna da Bahia)