Coreia fuzila membros do governo por assistirem novelas

Kim-Jong-UnHábito comum no Brasil, ver novelas pode ser um problema para quem mora no país mais isolado do mundo. Cerca de 50 pessoas, incluindo integrantes do governo e militares, foram publicamente executadas na Coreia do Norte desde o início do ano por causa disso, entre outros “crimes contra o Estado”.

De acordo com o jornal britânico “The Telegraph”, entre os mortos estão 10 membros do Partido dos Trabalhadores da Coreia, liderado por Kim Jong-un. Eles foram acusados, por exemplo, de praticar suborno, cometer atos promíscuos e assistir novelas sul-coreanas. O Serviço de Inteligência Nacional acredita que as execuções continuam a acontecer.

A Coreia do Norte bloqueia o acesso a qualquer tipo de programa produzido no exterior com a intenção de manipular a população e impedir que ela saiba como é a vida em outros países. Desertores do país comunista afirmam que versões piratas de programas de televisão sul-coreanos e chineses estão amplamente disponíveis no “mercado negro” local. Embora o governo faça esforços para impedir que seus cidadãos conheçam a vida fora das fronteiras, de acordo com elas, a proliferação de celulares e mídias eletrônicas facilitaram a influência estrangeira.

Parte dos funcionários mortos eram próximos de Jang Song-thaek, tio de Kim Jong-un, que foi preso em dezembro de 2013 e posteriormente executado. A eliminação contínua de aliados de Jang indica que o Kim tem se “livrado” de possíveis fontes de oposição para construir sua própria base de poder. Os argumentos usados para justificar as mortes, considerados exagerados, como assistir a programas de TV sul-coreanos, seriam um indício disso.

A publicação informa ainda que mais de 200 policiais da artilharia do exército norte-coreano foram rebaixados devido à “pouca precisão” em exercícios de treinamento.