Desvios relacionados a corrupção na Petrobras foram “pequenos”, diz petista baiano

RTEmagicC_2a7aec81e8.jpgPara Gabrielli, a paralisia na empresa, em função da queda na cotação internacional de petróleo, “pode ser a diferença entre (o PIB crescer e não crescer”. “Quando você olha os casos confessados pelos corruptos, os números são muito pequenos em relação à Petrobras. Temos um gerente executivo confesso, um diretor corrupto confesso, dois outros que negam as acusações. São quatro ou cinco pessoas de alto nível da companhia em uma estrutura altamente complexa. São 55 mil contratos geridos por 3 mil gerentes coordenadores de despesas, com diferentes níveis de alçada. Projetos que chegam à diretoria acima de US$ 25 milhões – abaixo, nem chega”, afirmou Gabrielli.

Na entrevista veiculada ontem pela internet, o executivo comparou a empresa a “botequim ou um armazém” onde “mesmo com o dono sentado no balcão” existem perdas não reconhecidas de 3% sobre o faturamento.

“Os procedimentos internos da companhia foram seguidos, e o processo de corrupção ocorreu na relação deles (ex-funcionários com fornecedores externos. Era impossível que a estrutura normal da companhia percebesse esses problemas. Na vida real, era quase impossível saber”, ponderou.

A entrevista foi concedida aos jornalistas Altamiro Borges, Paulo Salvador e Eduardo Guimarães, no programa Contraponto, do Sindicato dos Bancários, ligado à Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Sem ser citado no relatório final da CPI da Petrobras, na Câmara, Gabrielli avaliou que a comissão não investigou com detalhes os contratos da estatal e se tornou um “espetáculo onde a pergunta é mais importante que a resposta”.

O ex-presidente da Petrobras também avaliou que a Operação Lava Jato causa um “pequeno problema de reputação” à estatal. “Pequeno é uma condescendência”, retificou Gabrielli. “Lava Jato cria um grande problema reputacional que, associado a problema financeiro de curto prazo, cria problema de imagem de curto prazo. Mas não se pode destruir o valor de longo prazo e o potencial extraordinário para a companhia e para o Brasil”.

Sobre a refinaria de Pasadena, Gabrielli voltou a defender a compra da mesma, considerada um “excelente negócio” em 2006, ano de sua polêmica aquisição. Para o ex-presidente, a refinaria tem “situação favorável e margens razoáveis” devido à localização e enfrenta ciclos típicos de uma refinaria. A compra é investigada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que apontou um prejuízo de mais de US$ 700 milhões com a compra.

*Estadão