Dívida de R$ 1,6 milhão: Receita Federal acusa Lula de sonegação e conluio em propinas

A Receita Federal acusa o ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de sonegação impostos e conluio com empreiteiras para ocultar rendimentos milionários. A informação é da revista Veja, que obteve documentos de um processo de execução fiscal que tramita na 2ª Vara da Justiça Federal em São Bernardo do Campo, São Paulo.

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Foto reprodução; Intercept

Conforme a publicação, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional cobra Lula por uma dívida de R$ 1,25 milhão, referente a impostos que deixaram de ser colhidos. Segundo a Receita Federal, Lula teria omitido, em suas declarações de renda, os recursos que recebeu de duas empreiteiras para executar reformas no tríplex do Guarujá e no sítio de Atibaia, ambos em São Paulo.

A ação da Receita Federal contra o petista foi impetrada em junho do ano passado, e a investigação prosseguiu mesmo com o processo criminal contra Lula anulado – após a suspeição do ex-juiz Sérgio Moro pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Os auditores concluíram que o tríplex pertencia ao ex-presidente e que a reforma era parte de um pacote de vantagens financeiras não declaradas sobre as quais incidem tributos.

Em relação ao sítio de Atibaia, a Receita diz que os crimes fiscais também ficaram configurados. Segundo procuradores da Lava Jato, o local foi reformado pela empreiteira OAS em parceria com a Odebrecht, que financiou a obra com aval do ex-presidente Lula.

“O fiscalizado omitiu rendimentos tributáveis na forma de bens e direitos oriundos de reformas pagas pela OAS no apartamento tríplex e no sítio Atibaia, conforme exaustivamente detalhado neste relatório. O mesmo era proprietário do tríplex e, com relação ao sítio Atibaia, foi beneficiado pelas reformas feitas no mesmo, haja vista que era usuário contumaz do imóvel e tais reformas só foram feitas devido a esse fato”, afirma outro trecho do relatório da Receita Federal.

Em resposta à revista Veja, a defesa de Lula questionou a legalidade da cobrança, alegando que os documentos utilizados pela Receita Federal têm origem em processos anulados pelo Supremo.

“Essa cobrança se refere a tributos que teriam sido supostamente gerados em virtude da aquisição do tríplex e do sítio, só que tudo se baseia na Operação Lava Jato, que foi anulada pelo Supremo”, disse o advogado Cristiano Zanin. (ARATUON)