Dívida e feitiçaria motivou assassinato de dona de Casa em Euclides da Cunha

prisao-acusada_01Parece que o caso de um assassinato, com requinte de crueldade ocorrido no último mês de março, em Goiânia, capital do Estado de Goiás, envolvendo duas mulheres comerciantes de refeições, estabelecidas na mesma rua, amplamente divulgado pelos principais veículos de comunicação do País, em seus telejornais transmitidos em rede nacional, com alegação da assassina de ter matado a cozinheira Marizete de Fátima Machado (53), por conta da forte queda de sua clientela, por causa dos trabalhos de ‘feitiçaria’ feitos pela vítima para dominar o comércio de pamonharia e refeições na rua onde estavam estabelecidas, pode ter influenciado no homicídio de uma mulher em Euclides da Cunha.

As investigações desenvolvidas pela equipe de agentes investigadores da 25ª Coorpin sediada em Euclides da Cunha, sobre o assassinato da senhora Valdenir de Almeida Pereira (52), mais conhecida como “Vaninha”, ocorrido no último sábado (11), no bairro Jardim das Acácias, em Euclides da Cunha, tratado inicialmente por populares como suicídio por enforcamento, teve outro direcionamento depois que a polícia técnica esteve no local para perícia e coleta de impressão digital e vestígios deixados pelo autor ou autores do crime, que serviriam de provas para elucidação do crime.

Vale destacar a eficiência da ação conjunta envolvendo as equipes lideradas pelo delegado Paulo Jason de Melo Falcão – titular da 1ª Delegacia Territorial de Polícia Judiciária – coordenado pelo delegado Miguel Vieira da 25ª Coorpin, Wesley Santos Lima – perito criminalístico coordenador do DPT-Departamento de Polícia Técnica – e do também perito criminalístico Ronaldo Menezes, que desde que tomaram conhecimento da morte de dona Vaninha, anunciada como suicídio, se deslocaram para a casa da vítima, onde deram início aos trabalhos de perícia técnica e investigação.

Ao se deparar com o cenário do crime, logo ficou descartada a hipótese de morte por suicídio, pois o ambiente não se apresentava muito favorável para que a pessoa pudesse por em prática o ato desesperador de ceifar a própria vida por enforcamento usando uma corda de tamanho desproporcional numa casa pequena e sem acesso ao telhado protegido por um forro que não havia sinais de que teria sido violado e por onde poderia passar uma corda para ser amarrada no telhado e ali fixar a forca.

prisao-acusada_03Além do mais, o corpo se encontrava estendido no chão da sala, em posição lateral, a corda usada no crime estava laçada ao pescoço e se entrelaçava pelo tórax e perna direita, passando por debaixo do corpo e seguia com a ponta em direção ao quarto da vítima, onde provavelmente ocorreu o assassinato, pois a mesma se encontrava ainda vestida com roupa de dormir, para em seguida ser arrastada até a sala onde fora deixado, além de apresentar hematomas no rosto e tórax, sinais visíveis de espancamento, segundo um irmão da vítima que viu o corpo.

Entre os objetos encontrados no quarto estava um par de óculos de lentes espelhadas muito usados por mulheres, porém, o mesmo não era de propriedade da vítima, conforme informações de familiares. O acessório foi recolhido pelos peritos para análise e será juntado às provas do crime encaminhadas junto ao processo criminal ao Judiciário.

Enquanto a Polícia Técnica trabalhava na investigação dos vestígios encontrados no local do crime, o delegado Paulo Jason colocava em campo a equipe de investigadores à procura de testemunha que pudesse leva-los a autoria do crime.

A primeira tentativa não foi exitosa; porém, não foi motivo de desistência e numa segunda investida pelo bairro, os investigadores conseguiram obter informações importantes que colocavam a “ponta do novelo do crime” de fora e, a partir daí, os trabalhos foram redirecionados, pois, a princípio, o companheiro de Vaninha – que trabalha na empresa de transportes de propriedade do genro da vítima, que inicialmente havia sido colocado sob a suspeita, em razão de o casal estar em processo de separação e de viverem momentos de muitas brigas, – inclusive, recentemente, a ponto de a vítima colocar a casa onde morava à venda e de ter o apartamento da garagem da empresa de ônibus do genro colocado à disposição dela para residência, além de estar planejando retornar para São Paulo, onde já residiu, segundo informações de uma fonte próxima da família.

No decorrer do dia, mais informações chegavam ao delegado Paulo Jason, que continuava intrigado com o fato de a vítima não ter inimigos declarados, até o momento em que obteve a informação de uma filha de Vaninha que relatava um desentendimento ocorrido há pouco tempo entre uma irmã de sua genitora e Maria Rita Cardozo da Silva, por causa de um cheque sem provisão de fundos, emitido por Rita Cardozo para sua tia. Rita é proprietária de um restaurante localizado na Av. Renato Campos (perímetro urbano da Rodovia BR 116/Norte) há poucos metros da sede da empresa de ônibus do genro de Vaninha.

As informações da filha de Vaninha ao delegado foram juntadas às informações dos agentes policiais civis, que haviam obtido informações de pessoas do bairro, sobre a existência de duas mulheres que na manhã do crime foram vistas chegando de moto, por volta das 10h, à casa de Vaninha, horário em que provavelmente aconteceu o crime, pois no registro de ligação telefônica encontrado no seu celular, havia uma ligação com duração de quase uma hora feito pela filha da morta, segundo Dr. Paulo Jason.

Outra testemunha ouvida pelos investigadores contou que “ao passar pelo fundo do quintal da casa de Vaninha se deparou com uma mulher que não era sua conhecida, que apresentava arranhões muito visíveis na região do pescoço e, sem lhe fazer qualquer tipo de pergunta, a desconhecida tomou a iniciativa de dizer que “havia sofrido uma queda de motocicleta” e seguiu em frente, bastante apressada”. Coincidentemente, quase no mesmo horário em que as duas mulheres que chegaram de moto foram vistas em frente à casa da vítima. Rita, após o crime deixou a casa saindo pelo quintal e não pela porta da frente quando havia chegado.

prisao-acusada_04A marca dos arranhões deixados entre os seios e o pescoço de Rita, notados pela testemunha que a viu na parte dos fundos da casa de Vaninha, são sinais evidentes de que assassina e vítima entraram em luta corporal e foram provocados pela vítima, provavelmente na tentativa de se defender do ataque sofrido, fato que poderá ser comprovado no exame de DNA do material (pele) encontrado pelos peritos nas unhas da vítima.

Enquanto o serviço de investigação trabalhava na busca de mais informações esclarecedoras, os peritos criminalísticos concluíam que a morte de Vaninha não teria sido por suicídio e sim homicídio. Aliás, esta informação foi noticiada em primeira mão pelo site euclidesdacunha.com, por volta das 22h do dia do crime, pelo repórter José Dílson Pinheiro, que juntamente com o repórter Jaciel Correia acompanhavam o caso pessoalmente na 1ª DT ou por contato, desde que tomaram conhecimento do fato.

Diante de tantas informações, o foco principal das investigações passaria ser Rita Cardozo, que passou a ser monitorada, depois que Dr. Paulo Jason foi informado de que a mesma se preparava para deixar Euclides da Cunha. Com a colaboração da família da vítima, câmeras de segurança da empresa de ônibus da família foram direcionadas para o restaurante Rancho Euclidense, de propriedade de Rita Cardozo, que após informações da filha de Vaninha passaria a ficar sob forte suspeita.

prisao-acusada_05Dr. Paulo Jason temia pela fuga de Rita e representou pela sua prisão (dela, Rita), junto ao Judiciário de Euclides da Cunha, porém, não obteve êxito, já que o juiz titular se encontrava fora do Município. Ganhar tempo seria muito importante para a autoridade policial e o pedido de representação pela prisão foi encaminhado para a bacharela Carla Santa Bárbara Vitória, juíza substituta, que analisou o pedido e autorizou a prisão da suspeita, que havia sido flagrada pelas câmeras de segurança direcionadas para o seu restaurante, embarcando, por volta das 6h desta terça-feira (14), em um caminhão, que teve os dados anotados e passados para a polícia.

Como a tentativa de fuga de Rita se deu no horário em que o Fórum Des. Aluísio Batista ainda não havia dado início ao expediente e o delegado precisava da autorização da magistrada para efetuar a prisão, dado o horário da fuga e o expediente no fórum tem início a partir das 8h, foi solicitado aos familiares que iniciassem viagem de acompanhamento e monitoramento a distância do caminhão em que se encontrava Rita, até que a magistrada autorizasse o pedido de prisão representado.

De posse do Mandado de Prisão, o delegado Paulo Jason acionou a Polícia Civil de Feira de Santana, que na proximidade da cidade fez a interceptação do caminhão e efetuou a prisão da acusada, enquanto o delegado e equipe já se deslocavam para Feira de Santana, onde interrogou a acusada que confessou o crime e relatou a participação de outra mulher, cujo nome disse não saber, o que não convenceu ao delegado, que continuará nas investigações para identificar e prender a parceira de Rita.

Rita foi ouvida pelo delegado Paulo Jason, lá mesmo em Feira de Santana. Ao ser perguntado sobre o motivo do homicídio praticado, respondeu que “a vítima, com a qual havia tido um desentendimento pessoal, trabalhava com ‘feitiçaria’ e que o movimento do seu restaurante havia diminuído bastante e o afastamento da clientela deveu-se aos trabalhos de bruxaria feitos por Vaninha para prejudica-la”, além de revelar que pretendia ir para Salvador, de onde seguiria para São Paulo, era o plano de fuga, contou-nos o delegado.

Por medida de segurança, Rita Cardozo foi conduzida para o xadrez de uma delegacia da região, onde permanecerá até que o xadrez da carceragem do Complexo Policial Civil, que passa por consertos decorrentes da depredação sofrida quando da rebelião de presos ocorrida no último mês de fevereiro, ainda não foi finalizados, volte novamente a receber presos, além de ter sido detectado movimento de muita revolta por parte de parentes e amigos da vítima, situação que poderia causar surpresa desagradável tanto quanto a sofrida pelos familiares de Vaninha.

“As investigações não foram encerradas” disse o delegado. Assim como em Goiânia, a criminosa também foi presa e deverá responder criminalmente pelo homicídio praticado.

As informações e fotos são de José Dilson do euclidesdacunha.com