Eleições e projetos poem ACM Neto e Jaques Wagner em rota de colisão

650x375_wagner-acm-neto_1421660A mais recente polêmica entre o governador Jaques Wagner (PT) e o prefeito ACM Neto (DEM), sobre o direito de fiscalizar e regular os serviços da Embasa e a venda de terrenos públicos em Salvador, não é uma sinalização, apenas, de que as duas principais lideranças políticas da Bahia entraram para valer na campanha eleitoral deste ano.

Ao se colocarem na linha de frente de embates que servirão de munição para a disputa entre o candidato governista, o deputado federal Rui Costa (PT), e o da oposição, o ex-governador Paulo Souto (DEM) – que lidera as pesquisas de intenção de votos -, Wagner e Neto movimentam-se para defender seus projetos políticos. E, assim, delimitar as diferenças existentes entre a proposta de um e de outro.

Isso ficou evidente pela forma e pelo tom com que os dois governantes trataram, esta semana, da alienação de áreas públicas, em que o estado denuncia a prefeitura de avançar em seu território, e, mais ainda, da gestão da água.

“O grupo político ao qual pertence o prefeito de Salvador, que tem o candidato da oposição, é o mesmo do governador  que tentou vender a Embasa anos atrás. (…).  O prefeito, desde que chegou, tem buscado receber um dinheiro grande da Embasa. Eu creio que a carne que está por baixo desse angu é de privatizar”, acusou Wagner em entrevista a uma rádio.

Na coletiva em que mostrou dados da Fipe sobre o desempenho da estatal, Neto rebateu: “Ninguém está falando em privatização de nada, nem tirar concessão da Embasa. Mas não vou aceitar que os serviços continuem sendo mal prestados dessa forma. Quarenta e cinco por cento da receita operacional da Embasa vem de Salvador, mas a cidade teve prejuízo de R$ 198 milhões em desperdício de água, que representa  valor 14 vezes maior se comparado aos investimentos que a empresa fez”.

Resumo do confronto: o prefeito anunciou que a Agência Reguladora dos Serviços Públicos de Salvador (Arsal) passa a regular e fiscalizar os serviços da Embasa, e o governador consegue aprovar, na Assembleia Legislativa, o projeto que cria a Entidade Metropolitana que vai fiscalizar os serviços prestados pelo Estado em Salvador e cidades do seu entorno.

Palco da disputa

A campanha será, portanto, o palco propício para o PT e DEM marcarem suas posições. “Por baixo desse confronto, que vai ser utilizado eleitoralmente, há uma divergência de projetos”, analisa o sociólogo e cientista político da Ufba, Joviniano Neto.

Ele ressalta que o prefeito tem adotado série de medidas para viabilizar recursos para tocar sua gestão. “O projeto do DEM tende mais à iniciativa privada, enquanto o projeto do PT afirma defender o controle do estado nas questões sociais e do patrimônio público”, diz ele.

Para o presidente estadual do PT, Everaldo Anunciação, a campanha eleitoral servirá para mostrar ao eleitor qual a concepção de governo proposta pelo Democrata. “O prefeito e o candidato dele defendem um projeto privatizante”, enxerga o dirigente petista. “Estão mais focados em fazer caixa do que investir no social”.

Anunciação considera legítimo o prefeito tentar equilibrar as contas municipais, mas diz que não pode ser sacrificando o contribuinte. “Querem vender a empresa de água, arrocharam o contribuinte com o IPTU e tentaram aprovar o projeto que põe terrenos à venda sem respeitar o Regimento da Câmara”, acusa o petista.

O presidente do DEM na Bahia, José Carlos Aleluia,  diz que o PT é que é  privatizante. “Eles privatizaram o nosso futuro por 15 anos, porque venderam à iniciativa privada por R$ 100 milhões anuais um estádio de futebol, valor que daria para construir 75 Colégios Luis Eduardo Magalhães (tempo integral)”, diz.

Aleluia disse não temer comparações de projetos, porque o baiano já considera o atual governo “fracassado e ausente na educação, na saúde e na segurança”.

Para ele, o que incomoda os governistas é ver que a gestão de Salvador é bem-sucedida. “Estão apavorados porque o candidato deles não decola, e o prefeito, com pouco mais de um ano de governo, já é a primeira liderança no Estado”. (A Tarde)