Eletrônicos vão ficar mais caros com a alta do dólar

340x650_1351858A desvalorização que o real sofreu ante o dólar desde maio pode começar a refletir em alta de preços de eletrônicos e eletrodomésticos no varejo ainda este ano, segundo fabricantes e varejistas. As companhias de varejo, que até aqui vinham afirmando que negociariam com fornecedores para evitar repasses, já admitem altas.

O CEO do Magazine Luiza, Marcelo Silva, disse que a companhia se esforça para evitar que o aumento de custos com componentes importados chegue ao consumidor, mas pela primeira vez admitiu que “vai chegar o momento” de um repasse.

Ideia parecida foi expressa pelo vice-presidente de operações da ViaVarejo, Jorge Herzog. “Os fornecedores têm feito de tudo para repassar a alta dos componentes importados e até aqui nós temos conseguido frear, mas, se o câmbio continuar no atual patamar, é alto o risco de repasse”, declarou Herzog.

De acordo com fontes próximas do setor, é pequeno o espaço para negociação entre as varejistas e fabricantes e estes, por sua vez, descartam por completo a possibilidade de os custos não serem repassados ou de os importados serem substituídos.

De acordo com o vice-presidente de Vendas, Novos Negócios e Supply Chain da Whirlpool, Sérgio Leme, os repasses devem começar a ser sentidos nos próximos meses. A companhia é a dona das marcas Brastemp, Consul e KitchenAid. No caso de itens de linha branca como geladeiras, fogões e lavadeiras, que a Whirlpool fabrica no Brasil importando apenas alguns componentes, Leme acredita que os preços podem subir até 5% considerando a manutenção do câmbio no patamar entre R$ 2,35 e R$ 2,40.

O efeito é maior para produtos como aparelhos de ar-condicionado e micro-ondas, que são montados na Zona Franca de Manaus com 100% de componentes importados. Neste caso, a elevação de preços poderia chegar a 10%. O impacto que o dólar passou a trazer em maio deve chegar aos preços em outubro e novembro.

A Tarde Online