Era só o que faltava: racionamento de energia é quase inevitável, afirmam especialistas

affApesar de o governo praticamente descartar um racionamento de energia neste ano, especialistas do setor afirmam que essa possibilidade existe, e não é remota.

Reportagem do jornal Folha de S. Paulo deste domingo (22) mostra que dados do próprio Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) indicam a probabilidade de um racionamento.

Uma simulação da consultoria Thymos, feita com dados do ONS, mostra que a chance haver um corte de 5% na carga é de 24%. “Mas os números do ONS são muito otimistas. Na nossa visão, há 60% de chance de um racionamento superior a 5%”, disse o presidente da Thymos, João Carlos Mello. A análise considera o quadro recessivo da economia. “Se o país estivesse crescendo, a situação seria ainda mais grave.”

A consultoria PSR estima um risco de racionamento de 95% para as regiões Sudeste e Sul. “Isso indica que, em pouquíssimos cenários hidrológicos, não seria preciso ter um corte na carga”, afirmou a consultora da PSR, Priscila Lino.

A equipe da consultoria aponta que é necessário reduzir a demanda em 6% ante 2014 para chegar ao fim do ano com os reservatórios acima de 10%, nível considerado o mínimo adequado.

Para o diretor da Coppe-UFRJ, Luiz Pingelli Rosa, seria “prudente” se o racionamento já tivesse em vigor. “Temos mais um mês de chuvas. Se elas não forem abundantes, será necessário decretá-lo.”

Apesar das chuvas recentes, os reservatórios ainda estão muito baixos para essa época. Segundo Pinguelli, o nível mínimo satisfatório é de 30% até o final de abril, quando começa o período seco.

No Sudeste/Centro-Oeste, responsável por 70% da capacidade de armazenamento do país, os reservatórios estavam em 24% da capacidade na quinta (19). Em março de 2014, estava em 36%.

O Ministério de Minas e Energia informou que “devido à grande variabilidade das afluências aos reservatórios no chamado ‘período úmido’, que vai de dezembro a abril, análises mais conclusivas sobre o sistema elétrico serão obtidas ao fim deste período”.

Além de torcer por chuvas acima da média, o governo aposta que a crise econômica e o tarifaço reduzirão o consumo de energia em 2015, evitando o racionamento e um maior desgaste político.