Êta mundo bom e o sucesso dos voos do “Cegonho”

mafaldaTodos os dias, em “Êta mundo bom!”, há uma ou duas cenas dedicadas ao Cegonho. Como se sabe, é assim que Eponina (Rosi Campos) se refere ao órgão sexual masculino. Seu objetivo é tentar explicar à sobrinha o que se passa “na vida de uma mulher casada”. Tudo isso, no entanto, só alimenta ainda mais as dúvidas de Mafalda (Camila Queiroz). Ela não alcança a metáfora da tia. Entende tudo literalmente. “Como pode um cegonho caber na ceroula de um homem?”, questiona ela. A garota pergunta se “esta noite o Cegonho voou”. A tia diz que sim, mas ressalva: “sou decente e fecho os olhos durante o voo”. Dia desses, Mafalda reclamou que “é injusto a mulher só conhecer um Cegonho na vida”. Depois da cena, os fãs na novela fizeram a festa no Twitter. Escreveu @mariartmor: “Pois é, Mafalda, ninguém gosta disso, não”. Em outra ocasião, o Cegonho bateu asas e os gritos de Eponina invadiram a sala, onde a família festejava. E @chezmayane disse: “Até o Cegonho voou e você aí com o boy que não comparece”.

A brincadeira é engraçada, ingênua, bem em sintonia com a trama das 18h de Walcyr Carrasco. E, sobretudo, contagiou as plateias. O melhor aval que uma obra de teledramaturgia pode ter é essa aprovação. Não falo apenas de audiência. Refiro-me a um tipo de adesão muito mais ampla, que faz com que frases ditas na ficção caiam na boca do povo. Ou que peças do figurino sejam reproduzidas nas ruas. Quando isso acontece, a posteridade também fica garantida, significa que aquela produção será lembrada por muito tempo. É o caso de “tô certo ou tô errado?” (“Roque Santeiro”), de “A cada mergulho, um flash” (de “O clone”) e de “É culpa da Rita” (de “Avenida Brasil”). “Êta mundo bom!” conseguiu isso.

Por: PATRÍCIA KOGUT (O Globo)