Feliciano diz que seria covardia engavetar proposta sobre “cura gay”

    marco-feliciano-no-poder-e-politica-1364862846404_956x500Um dia antes de colocar em debate projeto que permite psicólogos promoverem tratamento contra a homossexualidade, o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, deputado Marco Feliciano (PSC-SP), disse que seria “covardia” não tratar da proposta. “Não posso engavetar projeto. Seria covardia se fizesse isso”, disse. “A comissão tem que trabalhar, não tem nada na comissão, não posso só ficar fazendo audiência pública. Esses projetos precisam ser analisados”, completou. A comissão é dominada por parlamentares ligados a segmentos religiosos, especialmente evangélicos. Feliciano negou que a discussão sobre a chamada “cura gay” seja uma provocação aos ativistas, que há mais de dois meses o acusam de racismo e homofobia e cobram sua saída do posto. O pastor acusou parlamentares petistas, que abandonaram a comissão por conta de sua presença, de manobrarem para levar o projeto para o colegiado. O texto quer sustar parte de resolução do Conselho Federal de Psicologia que proíbe o tratamento psicológico com o objetivo de curar a homossexualidade. Segundo Feliciano, apenas o Brasil conta com uma resolução nos moldes da que foi editada pelo Conselho Federal de Psicologia.

    “Não fui eu quem trouxe o projeto para a comissão. Existe um jogo político. Estava na Comissão de Seguridade Social, quando viram que ia perder, trouxeram para cá. Aqui era o reduto deles, e de repente veio para outro partido”, disse. Feliciano também falou sobre a possibilidade de colocar em votação proposta lançada por movimentos ligados a comunidade gay que prevê uma consulta à sociedade sobre o casamento homoafetivo. Estatuto do Nascituro Parlamentares da bancada evangélica ainda prometem votar amanhã na Comissão de Finanças da Câmara projeto de lei conhecido como Estatuto do Nascituro, que fixa por nascituro o ser humano concebido, mas ainda não nascido.

    O conceito inclui embriões produzidos por fertilização in vitro ainda não transferidos para o útero. O projeto causa alvoroço porque as entidades que defendem a descriminalização do aborto entendem que ele, ao definir a vida humana começa já na concepção, eliminaria a hipótese de aborto em qualquer caso, inclusive naqueles autorizados pelo Código Penal -estupro ou risco de vida para a mãe. Protesto Hoje, ativistas promoveram em frente ao Congresso um novo protesto pela saída de Feliciano.

    Um sósia do deputado circulou pelo gramado ao lado de placas que indicavam 10 motivos para que não permaneça no comando da comissão. Eles pediram ao PSC que retire apoio ao deputado, mas a cúpula do partido permanece dando sustentação ao pastor. (Folhapress)