EDITORIAL ANO VIII NÚMERO 290 – AGORA, A RESSACA JUNINA!

5
159

Quadrilha junina “Brilho de Vagalume”, de Uauá-BA

Nada mais próprio e adequado para definir os sentimentos deixados pela festa de São João, durante alguns dias, do que a palavra “ressaca”, seja por representar o sentido etimológico do “mal-estar causado pela ingestão excessiva de bebidas” ou ainda pela “indisposição causada por ter passado uma, ou várias noites, sem dormir”;

Após dois anos de uma boa tradição ter sido interrompida pela Pandemia do COVID-19, o retorno dos festejos foi permitido pelo arrefecimento, quem sabe temporário, das suas graves consequências, controlada face ao uso da vacina e outros cuidados protocolares. A queda dos índices registrados, que muitos afirmam ser decorrente dos interesses políticos do ano eleitoral, pelo menos favoreceu o retorno da alegria durante alguns dias, e permitiu que em todas as cidades interioranas, principalmente, ocorressem verdadeiros êxtases nos reencontros entre amigos e familiares, cheios de vibrante empolgação, após longas ausências, na maioria dos casos.

O som delicioso do forró predominou em todos os ambientes nos quais se esteve. Os trajes bastante coloridos e os pratos típicos com grande ascendência no uso do milho, são características marcantes e indeléveis dessa linda festa. Embora os Festejos Juninos, aqui no Brasil, sejam predominantemente nordestinos, a sua origem veio dos colonizadores portugueses, que nos trouxeram essas tradições bastante populares da Península Ibérica (Portugal e Espanha), como já foi registrado na crônica anterior.

É interessante observar como esse tipo de festa inspira o espírito de paz, geradora de muito sorriso alegre e espontâneo das pessoas, chegando a transparecer uma certa dose de ingenuidade e ausência de maldade entre os participantes. Cheguei a observar que, embora no “Arraia do Conselheiro” em Uauá, o policiamento esteve bem representado pela PM, não se percebia na quadra qualquer cena de violência. Esse é um clima de paz bastante diferenciado de outras festas populares.

Como é bom ver as apresentações das quadrilhas juninas uma vez que se destacam por exibirem as habilidades artísticas de crianças, jovens e adultos, com danças revestidas de muita arte, e nas quais valorizam a cultura regional com graça e beleza.

Um registro que devemos fazer é sobre as despesas oficiais para os gastos de organização do evento, obviamente inevitáveis, compensados com o impressionante número de visitantes em cada cidade, egressos de centenas de outras cidades. Indiscutivelmente, ativam a economia local com o dinheiro novo que chega, o que traz enorme volume de negócios aos seus comerciantes de todas as áreas, deixando números positivos como resultado.

Outro mérito dessa festa tão contagiante, é permitir que por um breve momento os problemas sejam colocados de lado e os políticos em campanha sejam brevemente esquecidos, embora nem tanto assim, porque aqui em Uauá os Deputados que representam o município distribuíram apertos de mão e os tradicionais tapas nas costas, não importando de onde era o eleitor… Ou seja, eles não perdem oportunidade, principalmente, nesse ano que estão precisando de nós!

Ainda que não seja verdadeira a concepção de que o vírus foi derrotado e não mais está por aqui, a realidade é que durante os festejos quase totalidade da população abandonou qualquer protocolo de proteção, para dizer bem alto e com todas as letras: VIVA SÃO JOÃO!

Autor: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público – Salvador-BA.

 

Blog do Florisvaldo – Informação Com Imparcialidade – 26/06/2022

Comentários

5 COMENTÁRIOS

  1. Certa vez, o alemão Thomas Mann, vencedor do prêmio Nobel de literatura de 1929, disse: “O escritor é um homem que, mais do que qualquer outro, tem dificuldade para escrever”. Em se tratando do Agenor, ao escrever sobre “Festas Juninas”, eu discordo totalmente do Thomas. A facilidade e o entusiasmo que o escritor mostra ao escrever sobre o tema, é fruto da convivência com os festejos de época, desde sua adolescência, passando pela juventude e agora na melhor idade. Não é atoa que, em 2022, mais uma vez, foi presencial a Quadrilha e Uauá/Ba, não dispensando aquele tradicional ”Licor de Jenipapo”.

  2. Que linda crônica!!
    Vamos pedir a Deus que essa linda festa não traga sequelas pra população que estava carente de alegrias. (Salvador-BA).

Deixe um comentário para AÉCIO ALMEIDA Cancelar resposta

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Time limit is exhausted. Please reload the CAPTCHA.