Fila do auxílio tem colchão, cobertor e mais de 24h de espera

Na fila de 140 pessoas formada já às 5h30 da manhã desta terça-feira (28), na porta da agência da Caixa Econômica Federal do Centro da cidade de Ribeirão das Neves, cabe boa parte do Brasil.

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(foto: Leandro Couri/EM)

A primeira a chegar foi Andreia Pimenta, de 39 anos. Munida colchão e cobertor, ela diz veio para o local às 17h30 dessa segunda (28) para tentar resolver problemas no cadastro do auxílio emergencial. O marido, Deiber Hulik Pereira, de 28 anos, se juntou a ela pouco depois, às 21h. Com problemas renais crônicos, ela tem dimensão do risco que corre ao se expor à aglomeração em plena pandemia de coronavírus, mas diz que não tem escolha. “Eu tenho uma filha, estou desempregada e meu marido também. Então, a necessidade da gente pegar esses R$ 600 é enorme”, diz a moça. É a segunda vez que o casal vem à Caixa em busca do benefício. “Semana passada, chegamos aqui às 21h. Ficamos até as 9h da manhã (do dia seguinte). Saímos sem informação, sem nada. As senhas distribuídas no dia acabam rápido”, relata.

Na multidão que começa na Rua Ari Teixeira da Costa e dobra a esquina da Rua Divino Messias dos Santos, onde segue por mais 500 metros , há inúmeras histórias semelhantes. A da diarista M.M.,que não quis se identificar, envolve outro vírus além do causador da COVID-19. Diagnosticada com HIV,  a trabalhadora chegou ao banco às 5h40. Era uma das últimas da fila. Chegou a abordar equipe do Estado de Minas, pensando que os repórteres fossem funcionários da Caixa. Constrangida, explicou sua situação e pediu ajuda para escapar do tumulto.

“O medicamento que eu tomo é muito forte, queria ver se dava para me atender antes do pessoal. Preciso receber o auxílio residencial, mas não tenho como mexer no aplicativo. Meu celular foi roubado e eu não confio em ninguém para resolver isso por mim. Tem como fazer alguma coisa por mim?”, perguntou à reportagem, fazendo menção de retirar da bolsa exames e documentos que comprovam a sua condição, incluindo o boletim de ocorrência do roubo do smartphone.

Para matar o tédio da longa espera, um grupo de homens improvisava uma partida de truco sobre uma caixa de isopor. Aguardavam atrás de quase duas dezenas de pessoas, já na virada do quarteirão. Diziam ter chegado à agência por volta das 20h de ontem.

Larissa Moreira Franca, de 28 anos, temia ficar sem atendimento mais uma vez – ela esteve em outras duas ocasiões na porta da unidade da Caixa. Ela chegou às 23h40 de segunda. Ela conta que não consegue concluir o cadastro na ajuda emergencial do governo de forma remota, embora tenha feito várias tentativas. “Da primeira vez, vim de manhã, não consegui. Depois, apareci de madrugada, também não deu certo. Daí, ontem, eu vim para dormir. Espero que eu consiga”.