Filho de PMs disse a amigo que planejava matar os pais e sonhava em ser matador de aluguel

    RTEmagicC_feae73e39e.jpgUm colega de escola de Marcelo Eduardo Bovo Pesseghini, 13 anos, disse em depoimento à polícia que o amigo havia dito a ele que planejava matar os pais. A informação foi passada à imprensa durante coletiva pelo delegado titular do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de São Paulo, Itagiba Franco. A principal suspeita da polícia é que Marcelo matou os pais, dois policiais militares, e mais duas parentes antes de se suicidar nesta segunda-feira (5).

    O sargento da Rondas Ostensivas Robias de Aguiar (Rota), Luís Marcelo Pesseghini, e a cabo da PM Andreia Regina Bovo Pesseghini, foram mortos com tiros na cabeça na residência do casal, na zona norte de São Paulo. A mãe da policial, Benedita de Oliveira Bovo, 65, e tia de Andreia, Bernadete Oliveira da Silva, 55, também foram mortas.

    Itagiba leu o depoimento do amigo do adolescente, que também tem 13 anos e teve a identidade preservada. O menino foi à delegacia acompanhado do pai. “Ele sempre convidava para fugir de casa, alegando que tinha o sonho de ser matador de aluguel e tinha um plano de matar os pais durante a noite, sem que ninguém soubesse, fugir com o carro e abandoná-lo”, disse o delegado, citando o depoimento do jovem, que seria melhor amigo de Marcelo.

    RTEmagicC_maefilhodentro0608.jpgO carro da PM Andreia, um Corsa, foi encontrado perto da escola de Marcelo. Câmeras da unidade de ensino mostram uma pessoa estacionando o veículo por volta da 1h15 e saindo do carro somente às 6h30, indo para o colégio. A polícia acredita que esta pessoa, que não é possível ver nitidamente nas imagens, seja Marcelo, já depois de ter matado os pais, a avó e a tia-avó. O delegado acrescentou que amigo do menino o reconheceu nestas imagens.

    Uma professora de Marcelo disse à polícia que ontem, durante as aulas, Marcelo perguntou se ela já havia dirigido carro alguma vez quando era criança e se já teria atingido os pais. A chave do veículo foi encontrada no bolso de uma jaqueta do menino.

    Na volta da escola, o garoto pegou carona com o pai do amigo, o mesmo que prestou depoimento hoje. No meio do caminho, viu o carro da mãe, pediu para descer, foi até o veículo e voltou. A polícia acha que Marcelo foi até o Corsa pegar uma arma .32, do avô, que depois foi encontrada em sua mochila. O pai do amigo o deixou em casa.

    Tragédia
    Segundo o delegado, “tudo leva a crer” que o menino matou os familiares e depois se matou, mas as investigações ainda não foram encerradas. “Nossa presunção inicial parece que está se confirmado, e tudo leva a crer que o garoto matou os pais e se suicidou.”

    A pistola .40, de uso da PM, que pertencia à mãe de Marcelo, foi a arma usada nas cinco mortes. A arma foi encontrada embaixo do abdômen do garoto, em sua mão esquerda. O delegado disse que a polícia confirmou com certeza que Marcelo era canhoto.

    Segundo o delegado, o pai, a avó e a tia-avó de Marcelo foram encontrados de bruços, em posição de quem dormia quando foram mortos. Já a mãe estava de joelhos, em posição de submissão, com os braços em frente à cabeça, o que sugere que estava acordada quando foi morta.

    “Isso já nos chamou a atenção porque não é usual”, explicou o delegado. Para Franco, se o crime fosse encomendado, aconteceria alguma briga e talvez até troca de tiros na casa. “Não foi isso que evidenciamos. Houve ali alguma coisa muito particular, muito familiar.”

    A perícia já coletou sangue das vítimas para saber se elas foram sedadas e o resultado deve sair em até 30 dias.

    Violência
    No quarto de Marcelo, a polícia encontrou muitas armas de brinquedos, um coldre de ombro feito de papelão, que imita um utilizado pela Tropa de Choque. Em uma rede social, o garoto usava o perfil a imagem do protagonista da série de videogames chamada Assassin’s Creed. “Inconscientemente ele já vinha desejando essa atração por armas”, diz o delegado.

    Marcelo tinha diabetes e fibrose cística, uma doença genética ainda sem cura, mas que se tratada precocemente permite que a pessoa leve uma vida normal. A polícia disse que a doença não foi relacionada à motivação dos crimes.

    Os corpos foram velados no cemitério Gethsêmani, em Anhanguera. Com exceção do corpo da tia de Andreia, seputado no mesmo cemitério, todos foram enterrados em Rio Claro, no interior paulista.

    As informações são do Correio