Jornalista que vazou conversa hackeada de Moro é esposo de deputado do PSOL que assumiu vaga de Jean Wyllys

Responsável pelo vazamento ilegal de conversas entre o ministro da Justiça Sergio Moro e o procurador da República Deltan Dallagnol, o jornalista Gleen Greenwald possui relação estreita com a política brasileira. Há quatro meses, o comentarista Caio Coppolla já havia alertado para uma possível interferência do norte-americano no Congresso. Na ocasião, Jean Wyllys renunciou ao cargo de deputado federal e em seu lugar entrou David Miranda (PSOL-RJ), que, por coincidência, é marido de Greenwald.

Glenn Greenwald e Lula Foto: Instituto Lula/Ricardo Stuckert

– Esse Glenn [Greenwald] é aquele jornalista, militante, correspondente da CNN, que vendeu a tese do golpe [contra Dilma] para a mídia internacional. [Com a renúncia de Jean] entra sangue novo no Congresso, gozando da simpatia de toda mídia progressista internacional – apontou Caio, referindo-se a David.

O vídeo com a observação de Caio também foi compartilhado pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). O parlamentar aponta a coincidência entre a invasão ao telefone de Sergio Moro e as informações expostas pelo site The Intercept, gerenciado por Greenwald.

– Vazamento orquestrado do celular de Moro? O Caio Copolla avisou há 4 meses. Hoje um hacker “qualquer” invadiu “sem pretensão” o celular de Moro e agora vaza tudo no Intercept, que é a mídia de Glenn Greenwald. Sabe que é Glenn? É o companheiro do deputado David Miranda (PSOL-RJ) que entrou na vaga deixada por Jean Wyllys.‬ Tire suas conclusões – escreveu Eduardo ao lado do vídeo com a fala de Caio.

ENTREVISTA COM LULA
No dia 21 de maio deste ano, Glenn Greenwald entrevistou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está preso em Curitiba. Leitores afirmam que a conversa entre os dois não passou de um “palanque” para Lula atacar Bolsonaro e o novo governo, além de tentar reforçar sua inocência.

HISTÓRICO DE VAZAMENTO DE INFORMAÇÕES
Esta não é a primeira vez que Glenn Greenwald expõe informações sigilosas. Antes disso, Greenwald foi responsável por divulgar informações secretas do governo norte-americano, obtidas por Edward Snowden, ex-funcionário da Inteligência dos EUA.

David Miranda foi acusado de espionagem no Reino Unido

O parceiro do jornalista Glenn Greenwald foi detido em 2013 durante uma escala no aeroporto de Londres,  tentando transportar documentos do ex-agente de inteligência norte-americano Edward Snowden, segundo a polícia e documentos de inteligência.

Foto: Ricardo Moraes/Reuters

O brasileiro David Miranda, parceiro de Greenwald, foi detido e interrogado durante nove horas pelas autoridades britânicas no aeroporto de Heathrow, quando chegou em Londres, vindo de Berlim, para uma escala com destino ao Rio de Janeiro.

Após a sua libertação e retorno ao Rio, Miranda entrou com uma ação judicial contra o governo britânico exigindo a devolução dos materiais apreendidos com ele por autoridades britânicas e uma revisão judicial da legalidade de sua detenção.

Durante uma audiência relacionada à ação de Miranda em um tribunal de Londres, um documento chamado “Folha de Circulação de Portos” foi lido para constar nos registros.

O documento foi elaborado pela Scotland Yard, em consulta com a agência britânica de contraespionagem MI5, e distribuído aos postos fronteiriços britânicos antes da chegada de Miranda. A data precisa do documento não é clara.

“A inteligência indica que Miranda provavelmente está envolvido em atividades de espionagem, com potencial para agir contra os interesses da segurança nacional do Reino Unido”, segundo o documento.

“Nós avaliamos que Miranda transportava conscientemente material cuja divulgação colocaria em risco a vida das pessoas”, diz o documento.

“Além disso, a divulgação, ou a ameaça de divulgação, pretende influenciar um governo e é feito com a finalidade de promover uma causa política ou ideológica. Isso, portanto, corresponde à definição de terrorismo.” Miranda não foi acusado de qualquer crime, embora autoridades britânicas disseram em agosto que tinham aberto uma investigação criminal depois de inicialmente examinarem materiais apreendidos com o brasileiro. Elas não esclareceram os objetivos do inquérito.

Uma importante audiência sobre a ação de Miranda está marcada para a semana que vem. Os novos detalhes de como e por que as autoridades britânicas decidiram agir contra ele, incluindo trechos dos documentos da polícia e da agência MI5, foram divulgados durante uma audiência preparatória no início desta semana.

Autoridades britânicas disseram no tribunal que os itens apreendidos com Miranda incluíam mídia eletrônica contendo 58 mil documentos da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos e da agência britânica de monitoramento eletrônico GCHQ.

Greenwald, que já trabalhou para o jornal britânico The Guardian, reconheceu que Miranda estava transportando material fornecido por Snowden quando ele foi temporariamente detido em Londres.

Em um e-mail à Reuters, Greenwald condenou o governo britânico por rotular as ações de seu parceiro como “terrorismo”.

“Eles são absolutamente e explicitamente igualando o terrorismo ao jornalismo”, disse o jornalista.

O especialista em sigilo da Federação de Cientistas Americanos, Steven Aftergood, disse que, dada a natureza do material que Miranda estava carregando, uma resposta dura por parte das autoridades britânicas não era inesperada.

Em um documento separado lido na audiência, a MI5, também conhecida como Serviço de Segurança, indicou que o interesse das autoridades britânicas em Miranda foi estimulado por seu aparente papel de mensageiro, transportando o material de Laura Poitras, uma cineasta sediada em Berlim, para Greenwald, que vive com Miranda no Rio de Janeiro.

“Avaliamos fortemente que Miranda está carregando itens que ajudarão Greenwald a revelar mais material da NSA e da GCHQ que julgamos estar em posse de Greenwald”, de acordo com o documento, descrito como “Justificativa de Segurança Nacional”, preparado para a polícia.

“Nossos principais objetivos contra David Miranda são compreender a natureza de qualquer material que ele esteja transportando, mitigar os riscos para a segurança nacional que este material representa”, acrescentou o documento.

Um porta-voz da embaixada britânica em Washington não fez nenhum comentário sobre o processo judicial ou documentos na época.

Com informações da EXAME e Pleno.News

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