Lagartas deixam agricultores de Euclides da Cunha apreensivos

    lagarta_05Depois de passarem mais de um ano preocupados com longa estiagem que se abateu sobre Euclides da Cunha, os produtores rurais que tiveram a esperança de dias melhores e livrarem-se parcialmente da tenebrosa seca de 2012, quando quase tudo foi perdido, o homem do campo agora, luta para se livrar das lagartas que destroem a pastagem que brotou     com as chuvas que caem de maneira intermitente há cerca de um mês.

    As larvas não estão dando trégua e, em algumas regiões, atacam com mais intensidade as plantações de milho e feijão, enquanto em outras os fazendeiros e criadores que sonhavam com a recuperação do pasto arrasado pela seca, vivem momentos de incerteza e insegurança por causa do ataque daquelas que um dia virarão lindas borboletas que vão polinizar flores, alimentar abelhas e fazer florir a caatinga tão castigada pela ausência de chuva.

    O fenômeno não é imprevisível, pois se sabe perfeitamente que sempre que acontece uma longa estiagem, é comum o aparecimento da praga, que poucos sabem a sua origem, nem como resiste à seca escondida em algum lugar da terra.

    lagarta_06Aliás, o próprio homem do campo, tomado pela ganância de ganhar muito dinheiro tem contribuído fortemente para o aparecimento de pragas que sempre existiram, é bem verdade, mas que eram combatidas e controladas naturalmente pelas aves e animais predadores naturais que se alimentam de insetos e larvas, que compõem a fauna local e fazem ninhos nas árvores ou no chão da propriedade rural ou em matas existentes ao redor.

    Hoje em dia já não se vê esse cuidado de muitos proprietários rurais, pois desmatam aleatoriamente pensando apenas, em aumentar a área de pastagem e/ou para o plantio de cereais visando aumentar o lucro com a venda de grande quantidade do produto colhido.

    Com a passarinhada dotada de grande apetite pelas lagartas, nambus, codornas, perdizes, aves que costumeiramente fazem ninho no chão e caçam larvas e insetos, praticamente desaparecidos do seu habitat natural, além de tatus, teiús, etc., praticamente extintos, o controle natural de pragas ficou muito difícil e as consequências para a produção agrícola são negativas e altamente prejudiciais.

    O uso indiscriminado, sem controle e orientação de técnicos agrícolas do veneno para combater pragas e lagartas já apresenta resultados negativos; pois produzem efeitos colaterais em culturas diferentes. Isso até já foi denunciado pelo site eucldesdacunha.com, quando tratou em reportagem especial sobre a produção de mel em Euclides da Cunha.

    Para lembrar um pouco, na entrevista feita com um dos principais produtores de mel, o mesmo se queixava da extinção de centenas de colméias que teve o envenenamento das abelhas apontado como causa principal.

    Ainda segundo este apicultor, o defensivo agrícola usado pelos produtores rurais sem o acompanhamento de um agrônomo ou técnico agrícola, para defender a plantação de pragas, também envenena as abelhas que buscam o pólen nas flores dos pés de feijão. “Quando não morrem envenenadas, as melíferas fogem para outros lugares, por causa do cheiro forte do veneno exalado.” Acrescentou.

    Por tanto, seria bom que nesse momento em que todos os homens do campo lutam para recuperar prejuízos sofridos, pensassem mais e buscassem junto às autoridades competentes soluções que ajudem a resolver o problema sem o risco de, no futuro bem próximo, abandonar a terra por improdutividade ou ter que gastar bastante na recuperação do solo contaminado por agrotóxico ou o uso excessivo de sal causado pelo uso indiscriminado de fertilizante ou adubo químico.

    A lagarta, em especial, pode ser combatida com inteligência e uma boa dose de conscientização. Os órgãos do governo estão ai. É só buscar ajuda e cobrar dos mesmos, mais empenho e atenção para com quem produz alimentos para a população.

    Fonte: Euclidesdacunha.com