Lembra dele? Batoré estreia com papel de destaque em novela da Globo

batoreConhecido pelo seu bom humor, Batoré marca sua estreia em Velho Chico com um grande desafio: deixar a veia cômica de lado para viver um delegado sério na trama. A primeira cena foi ao ar nesta quinta-feira, 17/3, na sequência emocionante, após o incêndio criminoso no galpão do capitão Rosa (Rodrigo Lombardi).

O artista revela a satisfação ao receber o convite do diretor artístico da novela. “O Luiz Fernando Carvalho me fez descobrir que eu sabia interpretar sem ser humorista, simplesmente como ator”, conta ele, ressaltando: “Minha vida inteira sempre fiz humor. A proposta de fazer um personagem sério estava me deixando muito inseguro, mas é um divisor de águas na minha carreira. Tenho certeza que meu trabalho fora do humor também ficou bom”.

Feliz da vida com a oportunidade, ele comemora seu primeiro papel em novelas: “Me sinto convocado pela Seleção Brasileira. O produtor de elenco Luiz Antônio Rocha estava há três semanas me ligando e só me localizou através de uma foto que postei nas redes sociais de uma pousada em que eu estava. Ele ligou pra lá e me encontrou. Eu pensei que era trote”, brinca Ivanildo, que já optou por se chamar Ivan Gomes, mas agora assume o nome artístico de Batoré.

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Confira a entrevista completa com o ator Batoré!

Como foi receber o convite para “Velho Chico”, com um papel que não é vinculado ao humor?

“Vai ser muito bom para a minha carreira e para a minha vida. Reconheço que eu merecia este presente de Deus. Fazer dramaturgia é uma responsabilidade muito grande”.

Como você define seu personagem?

“O delegado acabou saindo, naturalmente, como um cara meio nojento e cínico. Ele é submisso ao coronel, pois, naquela época, o coronel mandava em todo mundo”.

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Como foram as primeiras gravações de “Velho Chico” e o contato com atores como Rodrigo Santoro e Rodrigo Lombardi?

“O Lombardi foi extremamente generoso comigo. Eu disse pra ele: ‘Preciso de você, é a primeira vez que eu estou trabalhando na dramaturgia, preciso aprender’. Ele ficou o dia inteiro comigo, bateu texto comigo. É só gratidão. Já o Rodrigo Santoro, fiz uma cena com a minha boca a cinco dedos de distância da dele, se não tivesse minha sexualidade bem definida, tinha dado quatro beijos na boca dele (risos). É um cara que teve a coragem de abrir uma trincheira nova em Hollywood. Excelente ator, altamente minucioso. Ele presta atenção em todos os detalhes, faz isso em silêncio e vai mentalizando o ambiente, que é onde ele descarrega o personagem dele. É um profissional muito compenetrado e focado”.

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Você é de Serra Talhada, Pernambuco. Há algo de “Velho Chico” que fez você se lembrar das suas origens?

“O último banho de rio que tomei foi nos anos 70. Com as gravações de Velho Chico, eu me hospedei em Alagoas, na beira do rio São Francisco. No terceiro dia de gravação, fui tomar o banho nele. Era como se eu estivesse resgatando as minhas origens, fortalecendo a casca. Realmente eu estava me revitalizando, tomando um banho de Nordeste. Enchi os olhos d’água. Fazia 45 anos que eu não tomava banho de rio. Mas estão até hoje limpando o rio por causa do meu banho, já acharam cinco cuecas minhas lá (risos)”.

O que mais te chamou a atenção por lá?

“O nordestino é o povo mais acolhedor do mundo. Um povo muito fiel. As pessoas são muito generosas e hospitaleiras. Foi um presente de Deus o Luiz Fernando Carvalho ter me escolhido”.

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Você tem bordões marcantes em sua carreira que fazem alusão à aparência. Como você lida com a vaidade?

“Sou um feio feliz. Mas sou muito bem resolvido. Sou um cara bacana, agradável, inteligente, atento… Sou feio, mas a mão de obra é boa. Tenho dois filhos lindos. Deus ajuda os pais feios (risos)… Tenho um filho com 9 anos e uma filha com 16 anos. Sou divorciado. Estou solteiro. Não vou falar que estou na pista, senão vão passar por cima de mim. Estou esperando a próxima vítima (risos). Quero que apareça uma mulher bacana e parceira. Um homem não pode viver sozinho”.

E como foi sua trajetória profissional até chegar em “Velho Chico”?

“Na infância eu limpava sapatos, vendia limão… Apesar de, às vezes, a impressão que dava é a de que eu chupava limão, porque eu era feio (risos). Minha família veio de Pernambuco: papai, mamãe e os sete filhos. Passamos muita dificuldade em São Paulo. Para ajudar a família, ajudar a criar os irmãos, eu precisei trabalhar na rua. Passei muita dificuldade. Depois, fui jogador de futebol até os 21 anos. Só que tive uma contusão séria no tornozelo e tive que parar. Mas eu já contava piada, já tinha esse dom… Só comecei a cobrar por isso. Participei de shows de calouros, até que fui reconhecido”.

Velho Chico é a nova novela das 9 da Globo. A história é de Edmara Barbosa e Benedito Ruy Barbosa, escrita por Edmara Barbosa e Bruno Luperi. Os autores são filha e neto de Benedito, respectivamente, quem supervisiona a obra. A direção artística é de Luiz Fernando Carvalho. (Veja mais no GSHOW)