Mãe do Neto de Chico Anysio culpa seita de atriz da Globo por morte do filho

sssA mãe de Rian Brito, neto de Chico Anysio que foi encontrado morto na praia de Quissamã, município do norte fluminense, resolveu falar sobre o mistério envolvendo o sumiço e morte de seu filho. Um dia após cremar o corpo de Rian, Brita Brazil enviou uma carta ao jornal Extra, na qual a atriz e cantora relata detalhes da seita ‘Porta do Sol’, fundada no Rio de Janeiro pela atriz Leona Cavalli e que contava com a participação do jovem.

“… Com o convite de um grande amigo de infância, foram ao tal chá, e Rian começou a ficar sério, diferente, largou a música, coisa que fazia umas 13 horas por dia, perdeu o humor, e começou a ficar numa desenfreada mania de jejum e meditação. Sua aparência mudou totalmente. Seu jeito também. Ficou muito mais introspectivo. (…). O total foram 1 ano e 4 meses do mais profundo inferno que o Rian viveu. Ele perdeu sentido de tempo, grana, de absolutamente tudo”, conta ela, se referindo ao chá de Ayhuasca – conhecido como Santo Daime – erva alucinógena de origem indígena que os integrantes da seita costumavam tomar.

Brita explicou que o filho frequentava os encontros da Porta do Sol havia um ano e quatro meses e que ele participou de quatro rituais. Ela afirma também que, desde que passou a frequentar as reuniões, Rian passou a “ouvir vozes do chá” e “procurar lugares bonitos para se isolar e meditar por dias”, mas que sempre acabava voltando para casa. Preocupada com o filho, a nora de Chico Anysio afirma que foi a sede da “Porta do Sol” com o músico e que tomou o chá com o rapaz, para tentar entender seu jejum e o que se passava com ele.

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“…Para participar tem que pagar R$ 120, tomar o chá e ficar com os olhos fechados pra entrar em alfa. Na entrada, você dá o seu nome e assina um termo que diz que se você tomar tais remédios de psiquiatria, não pode fazer uso do chá, mas só neste caso. Como eu e Rian nunca tivemos, graças a Deus, nada a ver com psiquiatria, assinamos. Era a quarta vez dele, e a primeira (e última) minha. Mas como mãe, sabendo que íamos entrar em alfa, fiz o contrario, não fechei os olhos e dominei minha mente, para não deixar a lucidez, pois havia ido lá apenas pra saber porque meu filho estava num estado estranho e não comia praticamente nada. No meio da experiência de quatro ou cinco horas, você ingere primeiro um copo e durante a sessão mais duas doses pequenas que ficam te oferecendo mesmo que você esteja pra lá de Marrakesh. O Rian mal conseguia andar, e não falava coisa com coisa”, desabafou ela.

Ainda no texto, Brita diz que seu objetivo em relatar a experiência é alertar aqueles que fazem parte de tais encontros e que não tem pretensão de processar ou culpar Leona Cavalli pelo ocorrido com Rian. “O que queria fazer, repetindo seu nome e te convidando para a primeira fila do crematório do meu filho [quando o fez em seu Facebook após a confirmação da morte do rapaz], era pra que vc tomasse consciência do estrago que o chá de Ayhuasca pode gerar a uma família. Era pra você sentir por uma hora na pele, o que sentirei para toda curta vida que me resta. E, principalmente, que parasse não só você, como todas as Igrejas do Brasil, a fornecer esta química para as pessoas. Muitas pessoas podem ser alérgicas, incompatíveis quimicamente e disparar algo terrível em suas mentes pro resto de suas vidas…”, opina Brita.

264674-970x600-1A atriz acredita, no entanto, que a razão do filho ter escolhido uma praia em Quissamã para meditar em nada teve a ver com a seita. “As fugas eram assim: o máximo que ele ia era Arraial do Cabo. A voz que do chá que falava com ele. Tenho a impressão que ele escolheu um lugar perto, uma praia deserta no Rio de Janeiro para meditar e se isolar. Quissamã é um lugar superatraente”, especula.

Procurada pelo Extra, Leona Cavalli considerou a situação absurda e disse tentar ponderar o lado mãe de Brita. “Eu não posso entrar nessa questão agora, ele foi cremado ontem… De toda maneira, eu só posso te dizer que esse é um sacramento regularizado no Brasil e inscrito no Congresso Nacional Antidrogas. Isso que ela está falando, ela está falando por uma visão dela. Eu sinto muito realmente, fico muito tocada com a dor dela. Preferia não ter que fazer isso. Mas, infelizmente, chegou num ponto absurdo, e eu vou ter que tomar medidas jurídicas e criminais. Vou ter que processar”, afirmou.

Na última segunda-feira (7), a página do Portal do Sol foi retirada do ar sem justificativa e o nome de Leona constava como dirigente-fundadora na descrição da seita. “A página está com problema, ela está entrando e caindo. Também soube que a página dela (da Brita) no Facebook também saiu do ar. Não temos nada a ver com isso. E a página da Porta do Sol, eu já liguei para o web design, e amanhã (terça-feira) já vai estar no ar novamente”, concluiu Leona.