Maioria dos médicos cubanos querem ficar no Brasil e trazer familiares, mas a ditadura cubana não permite

A cada dia as discussões sobre a saída dos médicos cubanos do Brasil têm preocupado uma parcela da população nordestina que consequentemente acaba culpando o presidente eleito, Jair Bolsonaro, por um possível desfalque no sistema de saúde do país.

Vários médicos e diretores do Conselho Regional de Medicina, garantem que isso não vai acontecer, pois existem muitos médicos residentes em busca de emprego, além de milhares de outros formados no exterior, mas que não podem atuar no Brasil se não fizerem o Rivalida.

***FOTO DE ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, BRASIL. Com fim de parceria, médicos cubanos começam a deixar o Brasil no dia 25. (Foto: Moacyr Lopes Junior/Folhapress)

De acordo com o jornalista Claudio Humberto, do Diário do Poder, a decisão da ditadura cubana de retirar seus médicos do Brasil, até o fim do ano, provocou uma corrida de pedidos de asilo e recebimento integral dos R$11.540 pagos pelo governo brasileiro.

Claudio Humberto destacou que a ditadura cubana confisca mais de dois terços do valor, deixando aos médicos apenas com R$3 mil. E ainda os proibiu de trazerem suas famílias, mantidas em Cuba como reféns. O presidente eleito Jair Bolsonaro, por razões humanitárias, está disposto a acolher os cubanos.

Os médicos em geral estão satisfeitos no Brasil e não querem retornar à vida de privação. Há um ano, quando não se falava em cancelar o acordo, 180 cubanos pediram asilo e salário integral. Em dezembro, passavam de 300.

Integrante do Mais Médicos por quase três anos, o médico cubano Adrian Estrada Barber disse à Folha de São Paulo que se sentia explorado pelo programa e acha que muitos colegas irão abandoná-lo para ficar no Brasil até o final do ano.

Barber lamentou o fim da parceria com Cuba, mas atribuiu a decisão a uma “estratégia política” do regime cubano, e não às exigências do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), que pediu a realização de testes de capacidade, o envio do salário integral aos profissionais (hoje, eles recebem apenas parte do subsídio, que é retido por Cuba) e a possibilidade de que eles trouxessem suas famílias ao Brasil.

“Eu concordo totalmente [com as exigências]. A maioria se sentia explorada”, disse.

O profissional deixou o Mais Médicos em 2016, quando passou no Revalida (prova para validar o diploma no país) e começou a clinicar por conta própria. Por causa disso, foi qualificado como “desertor” e está proibido de voltar a Cuba por oito anos.

Começaram ontem as inscrições para repor as vagas abertas com a saída dos médicos cubanos. Os interessados em ocupar vagas abertas têm até o dia 25 deste mês, próximo domingo. Podem pleitear o posto profissionais com registro nos conselhos de medicina ou com diploma na atividade validado no país.

Os candidatos poderão escolher as cidades onde querem trabalhar. A medida que forem sendo preenchidas, as vagas serão retiradas do sistema. Os inscritos terão que se apresentar no local selecionado a partir do dia 3 de dezembro para homologar a contratação e iniciar a função. Caso as vagas não sejam preenchidas, será aberto novo edital, no dia 27 de novembro, para buscar outros profissionais.

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