Medidas governamentais ajudam agropecuaristas baianos na convivência com a seca

    agropecuariaO ano de 2012 foi sofrido para a agropecuária baiana, por causa da pior seca das últimas cinco décadas. Através do Comitê Estadual de Ações de Convivência com a Seca, coordenado pela Casa Civil, o governo adotou medidas emergenciais, garantindo água e alimento para a população. Mas o grande desafio foi evitar que os rebanhos fossem dizimados. A Secretaria da Agricultura (Seagri) lançou uma campanha e os grandes produtores do oeste da Bahia doaram milhares de toneladas de milho para os pequenos criadores. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) também foi mobilizada no sentido de remover milho dos seus estoques no Centro-Oeste para o Nordeste, e através do programa de compra com doação simultânea foi possível evitar que produtores perdessem seus caprinos e ovinos.

    Mas, pensando no amanhã e na necessidade de estruturar o semiárido para a convivência com a seca, a Seagri, em parceria com o Conselho Nacional dos Secretários de Agricultura (Consea), solicitou ao governo federal a implantação do PAC Semiárido, baseado em dois pilares: reserva alimentar para os rebanhos, através da palma forrageira, e água para dessedentação animal, por meio de poços e barragens para perenizar rios e riachos. O objetivo desse programa é atender a cerca de 1,5 milhão de famílias de agricultores do semiárido nordestino, e não apenas da Bahia.

    Atendendo à reivindicação da Seagri, o governo federal, via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Ministério da Integração, liberou R$ 100 milhões, não reembolsáveis, para os estados do Nordeste e Minas Gerais, para serem aplicados em obras estruturantes para a convivência com a seca. Desse montante, R$ 22,1 milhões foram destinados à Bahia, que, por decisão de governo, serão investidos na construção de 1.300 barragens subterrâneas, em municípios atingidos pela estiagem que decretaram estado de emergência.

    A Superintendência de Irrigação da Seagri (SIR), aplicando critérios exclusivamente técnicos, levando em consideração o tipo de solo mais adequado para a construção das barragens, definiu que elas serão feitas em 53 municípios de cinco territórios de identidade.

    Também em paralelo à solicitação de criação do PAC Semiárido, a Seagri vem executando outras ações destinadas a estruturar a região na Bahia. Uma delas é a implantação do programa Palmas para o Sertão, destinado a fazer com que os pequenos criadores tenham reserva estratégica de alimentos para os rebanhos.

    De acordo com técnicos da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), um hectare plantado pode produzir 400 toneladas de palma, suficiente para alimentar 100 caprinos e ovinos durante seis meses. A meta da Seagri é fazer com que cada criador tenha pelo menos um hectare plantado com palma adensada, para garantir a alimentação animal nos períodos de seca. Para tanto, informou, além das unidades demonstrativas, que vão multiplicar as mudas, o Estado vai implantar quatro biofábricas para produção de mudas sadias de palma. Uma deles será em Feira de Santana, e outra em Juazeiro, na Moscamed Brasil.