Mobilização do próximo domingo (15) pelo impeachment de Dilma acende alerta vermelho no PT

RTEmagicC_foradilma-x1.jpgO grande sentimento de revolta que tomou conta dos brasileiros nos últimos dias devido aos desmandos com a causa pública e o vários bilhões desviados da Petrobrás, acendeu o alerta vermelho no Partido dos Trabalhadores.

Mesmo com o discurso minimizador de lideranças do governo e do PT, membros do partido consideram “grave” o panelaço e o buzinaço realizados no último domingo, 8, em várias capitais brasileiras, durante o pronunciamento da presidente Dilma Rousseff. A avaliação de petistas é que o grupo contrário ao governo de Dilma já tem uma mobilização forte e organizada – a partir de São Paulo – e já ganhou outras capitais. Para piorar, o movimento deixou a elite, ganhou a classe média e pode chegar a outros setores da sociedade, principalmente de eleitores petistas.

O “panelaço” serviu para dar força aos grupos que vão para a rua no domingo 15, pedir o  impeachment de Dilma. A mobilização pretende reunir mais de 100 mil pessoas em diversas cidades do país.

RTEmagicC_f12211599b.jpgMembros do PT foram mais cautelosos e consideraram ainda um erro a atitude de outros partidários de culpar a burguesia, ligar o protesto à oposição e ainda repetir o discurso de que os protestos, cada vez mais fortes, são um terceiro turno da eleição que reconduziu Dilma ao Planalto. “Tem de ter muita inteligência para enfrentar esse movimento e não ficar falando besteira”, disse uma liderança do PT.

O deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) afirmou que a reação ao pronunciamento da presidente demonstra a tensão existente no ambiente político e acredita que a tarefa da legenda é tentar reverter o “processo de envenenamento” existente, marcado por um conteúdo “agressivo e irracional”. “Não dá para minimizar, mas não podemos admitir este tom. Nossa posição tem de ser a de fazer o diálogo”, disse o deputado.

Teixeira é da corrente Mensagem ao Partido, mais crítica aos rumos do PT nos últimos anos. “(A reação ao discurso) É um termômetro que identifica uma anomalia, um processo preocupante”, admitiu o parlamentar.

Uma dificuldade adicional para a presidente Dilma é que nem mesmo dentro do PT o ambiente é favorável às medidas econômicas propostas pelo governo. A avaliação é que o pacote encaminhado ao Congresso para corte de desonerações e reduções de benefícios trabalhistas vai contra ao que foi prometido na campanha por Dilma.

Na avaliação de dirigentes como o secretário nacional de Comunicação do PT, José Américo Dias, e o vice-presidente do partido, Alberto Cantalice, as manifestações fracassaram e vão fracassar, pois se trata de uma orquestração com viés golpista, restritas aos moradores de classe média e com financiamento de partidos de oposição.