Moradores protestam contra morte e tortura de Jovens do subúrbio de Salvador

650x375_fazenda-coutos-manifestacao_1435857Três vidas interrompidas, um sobrevivente e quatro histórias de sequestro, tortura, terror e morte. Poderia até ser mais um enredo de filme policial, mas é real.  Giesson Vieira Barbosa, 17  (Paripe), Weslei Silva Pinto, 21  (Plataforma), Reinaldo dos Santos Alves, 23, e Ivo Rangel Brito da Silva, 19 (ambos de Fazenda Coutos), foram as vítimas.

Na noite de quinta-feira, 31, eles foram levados por encapuzados que estavam em três carros: um  Celta branco,  um Gol vermelho e um Palio cinza (JBS-9863,  placa fria).

Giesson, Weslei e Ivo foram encontrados mortos na manhã de ontem, com os braços amarrados para trás, amordaçados, com sinais de tortura e  marcas de tiro.

Único sobrevivente, Reinaldo afirmou que  foi agredido com chutes, murros e coronhadas. Muito machucado, recebeu atendimento no Hospital do Subúrbio, mas já teve alta. Ele acusa policiais civis pelos crimes.

O corpo de Geisson foi localizado próximo a um lixão, na rua das Pedrinhas, mais conhecida como Estrada Velha de Periperi. O de Weslei estava na rua 1º de Janeiro, no Lobato; e o de Ivo, na Estrada do CIA, próximo ao Condomínio Bosque das Bromélias, região  considerada  ponto  de “desova”.

Terror

Corpo cheio de hematomas, mancando de uma perna e com os ouvidos sangrando, devido às coronhadas, Reinaldo revelou que foi pego quando retornava para casa com a namorada e uma amiga.

“Cheguei do trabalho, tomei banho, me arrumei e fui lá na frente. Vi o carro quando estava voltando para casa. Eles me pararam e perguntaram se eu tinha alguma coisa a ver com a morte do policial”, disse.

Segundo ele, os quatro homens que o levaram para a Estrada do CIA usavam distintivo da Polícia Civil. “Fui apanhando daqui até lá. Fizeram uma roda e começaram a me espancar. Disse que era inocente. Chamei por Deus, vi a morte duas vezes”, relembra.

Sexta, 1º, à tarde, familiares e amigos de Geisson, Ivo e Reinaldo protestaram na Estrada do Derba. Sem saber que Ivo já estava morto, a estudante de Serviço Social, Cristiane Brito, 37, esperava encontrar o filho vivo. “Já fui a todos os hospitais, ir ao Nina (IML) é a última coisa que quero fazer. Tenho fé em Deus que ele está vivo”, declarou.

O titular da Delegacia de Periperi, Nilton Borba, disse que desconhecia os desaparecimentos dos jovens. “Não estou sabendo de nada com relação a sumiço. Soube do homicídio (Giesson), mas o DHPP (Departamento de Homicídios) está investigando”, declarou. (A Tarde)