Mulher dá à luz na recepção de maternidade na Bahia, mas bebê morre

santacasa_dentro-620x330Uma mulher deu à luz na recepção do Hospital Maternidade Luís Argolo, em Santo Antônio de Jesus (a 185 km de Salvador) no Recôncavo baiano. O parto improvisado, que aconteceu por volta das 6h30 da manhã deste sábado, 26, e foi feito por outros pacientes e pessoas que aguardavam atendimento no local, mas o bebê não resistiu e morreu.

O Hospital é administrado pela Santa Casa de Misericórdia e passa por problemas financeiros e estruturais, além da falta constante de médicos. Maria Jamile de Jesus Santos, de 20 anos, estava grávida de seis meses e chegou ao hospital por volta das 4h da madrugada.

Maria Antônia de Jesus Santos, mãe da jovem, contou que ela estava sentada em um banco da recepção e começou a sentir muitas dores por volta das 6h. Às 6h30, já sangrando, entrou em trabalho de parto, que teve que ser feito no chão, pois não havia médico e nenhum enfermeiro do hospital se prontificou a colocar a gestante em uma maca ou levá-la para enfermaria.

“A criança morreu por falta de cuidados depois que nasceu, pois estava viva. Só depois que a polícia chegou foi que apareceram alguns funcionários que a levaram para uma sala”, contou. Ela informou ainda que a filha procurou atendimento no Hospital Maternidade na noite de sexta-feira, 25, mas a mandaram voltar na manhã de sábado, quando haveria um médico plantonista. “Mas isso não aconteceu. Não tinha nenhum médico hoje”, denunciou.

Em entrevista a uma rádio local, o provedor da Santa Casa de Misericórdia, Aurelino Reis, explicou que o médico plantonista faz pós-graduação em Salvador e não pôde cumprir o horário do plantão que terminou no sábado. “Ele se ausentou na noite de sexta-feira. Tentamos substitui-lo, mas não achamos um médico que pudesse fazer o plantão deste fim de semana. Estamos tentando corrigir o problema desde que fizemos o TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) com o Ministério Público, em novembro. Mas há dificuldades de achar médico para o fim de semana. Fui pessoalmente na casa de um médico, que atendeu na sexta-feira, mas não pôde ficar de plantão no sábado. Estamos nos esforçando para que isso não aconteça”, garantiu.

Aurelino Reis afirmou ainda que a Santa Casa passa por dificuldades financeiras e não recebe ajuda do Estado ou da Prefeitura de Santo Antônio de Jesus. O único repasse que a prefeitura faz é de R$ 30 mil, referente aos serviços do SUS que a Santa Casa executa. “Fora isso, não recebemos nenhuma ajuda da prefeitura ou do governo do Estado. Eles pagam pelos serviços que a Santa Casa executa”, lamentou.

O provedor informou ainda que a Santa Casa tem um déficit mensal com obstetrícia de mais de R$ 225 mil. São realizados 197 partos por mês. “Gastamos R$ 1.475,21 para executar cada parto normal. Recebemos R$ 443,50. Em cada parto normal, há um déficit de R$ 1.031. Com cesárea, o déficit é de R$ 1.347. A Santa Casa é um comércio de saúde e as dificuldades são grandes quando não recebemos ajuda”, salientou. (A Tarde)