Marcelio Oliveira: “Vivendo… não vegetando”

DSC00308Eu penso que estar vivo é ter todas as forças da alma, do corpo e da mente, sempre presentes, vibrantes e atuantes, em cada momento e em cada situação.

Estar vivo é uma condição de felicidade que se manifesta não só com as grandes realizações como também nas situações da vida cotidiana. Não só no terreno da atividade, como no campo dos sentimentos.

Estar vivo é sentir a força que se manifesta no seu jeito de amar e ser amado, estimar um amigo, enfrentar os problemas e saber desfrutar as alegrias. Aceitar a rotina que é inevitável e estar disponível para as coisas diferentes e para o imprevisto. Ver a realidade tal como ela é, e não perder a oportunidade de mudá-la para melhor.

Saber defender os próprios interesses sem perder de vista os dos outros. Poder estar só, sem sofrer a própria solidão e saber viver em companhia, sem perder a própria personalidade.

É difícil viver? Muita gente acha que sim. Sem dúvida, vegetar é muito mais fácil. Da mesma forma que é muito mais fácil descer uma montanha em que se descortina um panorama vasto e deslumbrante. É lá que se respira um ar puro que enche deliciosamente os pulmões e ativa a circulação. É lá que o vento vivificante bate na face e alvoroça os cabelos, provocando uma estupenda embriaguez de poder e de juventude.

Sim, talvez viver seja difícil. Mas é tão estimulante!

O motivo principal que faz com que tanta gente se limite a vegetar é um só: MEDO. Estar vivo é ser vulnerável. Afinal, só os seres vivos sofrem, têm dor e morrem.

Ora, ninguém pode evitar totalmente o sofrimento, a dor, os tormentos e as angustias. Mas, assim como os animais que hibernam, certas pessoas renunciam a uma parte da vida, para não sofrer o impacto das magoas e das aflições.
Que pena!

Vegetar, para certas pessoas, torna-se um hábito, um vício até. Não conseguem se libertar nem mesmo nos momentos de maior alegria ou no instante do prazer. Seus relacionamentos afetivos são superficiais. Para elas o lema é: “Pouco se arrisca, pouco se teme”. Mas o preço desse cuidado excessivo é um triste panorama árido, descolorido, sem sabor e sem vida.

O medo de viver não é anormal e não é exceção: existe em todos nós. Porém, devemos combatê-lo como o sentimento oposto que é a vontade de viver.

Dizem que “gato escaldado tem medo de água fria”. Talvez o fato de que algum dia já tenha se queimado faça com que ele pense que água queima.

Durante a vida, todos nós já nos “queimamos” um dia. Entretanto, isto não justifica que vamos agir como gato escaldado pela vida afora.

Ficar desculpando-se com experiências negativas do passado para deixar de viver plenamente seria o mesmo que não querer construir em terreno que já houve incêndio.

Enfim, cada um deve encontrar o próprio caminho, enfrentar seus próprios riscos, ganhar ou perder suas próprias batalhas. Este é o único jeito para termos autoafirmação, nos realizarmos e principalmente para sentirmos que estamos vivendo e não vegetando.

Marcelio Oliveira (Para o Portaldenoticias.net)
Jornalista
Email: marceliojornalista@hotmail.com