Polêmica: Ex-pastor conta como saiu do armário após tentar curar gays

“A verdade é que sei que sou gay desde criança. Eu não sabia o nome que isso tinha, mas já achava os meninos muito mais interessantes que as meninas.” O autor dessa frase é Sérgio Viula, 47 anos, professor do Rio de Janeiro. Antes das salas de aula, no entanto, Sérgio era pastor e frequentava grupos de cura gay.

Ao site Sou Mais Eu!, Sérgio contou a sua história de luta contra o que ele realmente era. Cheguei à igreja evangélica carregando o fardo de ser gay, mas não revelei meu “problema”. Os irmãos me ofereceram conforto e acolhimento. “Deus vai cuidar de você. Ele perdoa.” Mas meu desejo não deu trégua por muito tempo. Conheci um rapaz na igreja e ficamos. Chorava toda noite perguntando a Deus por que tinha nascido assim e, já que tinha, por que isso era errado. Ficamos outra vez, mas eu achava que tinha que me esforçar mais para virar heterossexual”, contou.

Logo depois, ele entrou para o seminário e foi estudar teologia para virar pastor da igreja batista. “Recusei ofertas de emprego e até aumento de salário para conciliar meu trabalho como professor com a vida religiosa. Não falo isso para me vangloriar, mas para mostrar que tentei, de coração, seguir os princípios da religião”, disse.

Nesse tempo, ele entrou para o grupo Movimento pela Sexualidade Sadia (Moses), mas isso só agravou o sentimento de que estava agindo contra a sua natureza. “Não existe cura gay. Ex-gay é uma coisa tão real quanto vaca que voa. Vai por mim! Fui conselheiro de um grupo de ‘reversão de homossexualidade’ por sete anos e nunca vi nenhum gay virar hétero. Muito pelo contrário: vários homens lá de dentro acabavam se envolvendo”, explicou.

A saída do armário de Sérgio ocorreu em 2002 quando contou para a mulher. Para o mundo, ele se assumiu gay em 2004, após 14 anos de casamento. Hoje, ele é casado com um rapaz de Belo Horizonte. “Nossa relação é formada por parceria. E não me arrependo. Me aceitar do jeito que sou me fez ver beleza na vida e nas pessoas. Sinto como se vivesse num canto iluminado do mundo. E o melhor é que não tenho que pagar o dízimo para entrar”, contou.

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