Preocupado com a violência nas escolas baianas Ministério Público lança campanha

violenciaDe acordo com estatísticas do Mapa da Violência realizado em 2013, 39,3% dos homicídios em geral tem como responsáveis jovens que estão na faixa etária escolar, de 15 a 24 anos. Ainda de acordo com o estudo, Simões Filho lidera os índices de violência no Brasil entre os 100 municípios da pesquisa. Para atenuar esta questão, o Ministério Público lançou na manhã de ontem, a campanha “Conte até dez”, que tem como proposta espalhar a cultura de paz nas escolas públicas de algumas cidades da Bahia.

A campanha deverá sensibilizar 200 mil estudantes de 300 unidades de ensino estadual e municipal. Ainda sem data prevista de implantar na prática, a ideia é que seja apresentada ao público-alvo uma cartilha que aborde temas como: Vida e Morte- a valorização da vida; Direitos e Deveres dos Adolescentes- ato infracional, homicídio e tribunal do júri, violência nas escolas e bulling e Enfrentamento da violência nas escolas.

“Essa proposta nos enobrece. O objetivo é manter uma cultura de reflexão e de humanismo. Este é um modo de trabalhar não convencional na prevenção, educação e orientação. Precisamos reorientar nossas metodologias. Essa experiência revela que é uma forma diferenciada  atenta a um público específico. O Ministério Público abraça esta campanha”, afirmou a procuradora Geral, Márcia Fahel.

Medidas como essas são boas contribuições para o problema, apesar de que por trás das violências nas escolas existe todo um contexto sociológico como: as drogas, problemas familiares e financeiros, além da alimentação não adequada. Muitas vezes este problema está dentro da escola, com os próprios educadores que descarregam os problemas pessoais nas salas de aula, assim ressaltou o secretário do Grupo de Educação de Saúde nas Escolas, Silvio Leal. “É preciso também mudar a metodologia que está ultrapassada e inserir aulas práticas. O aluno chega ao colégio com muitos problemas pessoais e se depara com aquela situação monótona, fica enfastiado e vai brigar”, exemplificou Leal.

Para um educador que não quis se identificar, ameaças, porte de armas, uso de drogas por parte dos alunos e agressões físicas e verbais são problemas que ele convive diariamente. “Os professores têm medo de falar, se expor e sofrer retaliações tanto da parte dos alunos, quanto do próprio governo. O clima de insegurança é crescente o que impede o professor em desenvolver o conteúdo. Muitos têm medo. Eu mesmo já fui ameaçado de morte na sala de aula. Aliado a isto, ainda convivemos com as condições precárias com a falta de estrutura e material didático. É bastante complicado. A escola que deveria ser um local de paz e conhecimentos está se tornando palco de violência”.

As cidades de Simões Filho, Salvador, Camaçari, Candeias, Dias D´Àvila e Lauro de Freitas se configuram entre as 60 do país com maiores índices de violência contra jovens entre 15 a 24 anos, segundo relatório do Mapa da Violência. Simões lidera o ranking nacional com 380 assassinatos de pessoas nesta faixa etária para cada 100 mil habitantes. As demais também apresentam índices assustadores acima de 100 homicídios.

Fonte: Tribuna da Bahia