Produtores baianos querem dobrar produção de guaraná

    20130427095515_guaranaPassar de uma produtividade anual de 400 para 800 quilos de guaraná por hectare em pouco tempo e ampliar a capacidade para 1.500 quilos em médio e longo prazo. Estas são as metas dos agricultores familiares do Território de Identidade Baixo Sul da Bahia, região com 7.600 hectares ocupados pela cultura.

    Para alcançar esses objetivos, os pequenos produtores estão recebendo assistência técnica da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), órgão da Secretaria Estadual da Agricultura (Seagri). Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais e Agricultores de Taperoá, Antônio Oliveira Santana, a entidade conta com 3.500 sócios. Ele afirma que o guaraná representa 40% da renda de cada família. O resto da renda vem de outras culturas, como cravo, dendê, piaçava, mandioca e outras culturas.

    O agricultor Norival Vieira, 71 anos, explica que há 40 se dedica ao plantio do guaraná. “Era bastante difícil. A gente fazia na aventura, de qualquer forma. Depois começamos a ter dificuldades. Muita gente abandonou a lavoura. Com a chegada da EBDA, podemos dizer que temos uma roça de guaraná satisfatória”. Planejamento estratégico

    Entre as medidas para que as metas de produtividade sejam alcançadas, de acordo com o técnico da EBDA e presidente da Câmara Setorial do Guaraná da Bahia, Gerval Teófilo, em 2010 foi estabelecido um planejamento estratégico que prevê assistência técnica, pesquisa para desenvolvimento e inovação e a elaboração do Plano Estadual de Desenvolvimento do Guaraná da Bahia.

    Ele informa que já fez a capacitação de 100 técnicos extensionistas, que atendem os produtores. “Este ano, os agricultores também já receberam treinamento técnico em colheita e beneficiamento, para garantir o padrão de qualidade do produto”.

    Conforme o técnico, o papel da empresa é levar novas tecnologias ao produtor. “Com isso, ele pode ter melhor qualidade de vida e renda para a família. Temos a meta de fazer o replantio de um hectare por cada agricultor, num total de 500 hectares. A lavoura tem um prazo médio de 25 anos de produção, depois dos quais começa a perder a capacidade”.

    Gerval ressalta que a organização dos agricultores é importante para o desenvolvimento da cadeia produtiva. “Sem organização, os atravessadores compram a produção por um preço muito baixo, cerca de R$ 7 o quilo. Com as associações, eles conseguem melhorar o preço”.

    Para aumentar a área de plantio, os produtores contam ainda com o Crédito Amigo, um convênio celebrado entre a Seagri, o Banco do Nordeste, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).