“Queria que fosse minha mãe” Com leucemia, menina órfã deixa carta de despedida para única pessoa que a visitava

A história de uma voluntária e uma menina de 8 anos viralizou na internet após uma carta de despedida ser publicada no Facebook. Foram mais de 31 mil compartilhamentos das fotos do diário da menina Jullia, publicadas pela voluntária Gabriella Pereira.

As duas se conheceram quando a bancária foi fazer um trabalho voluntário em um orfanato, há dois anos. “Dia das Crianças, aniversário, Natal, entre outras datas, sempre tive comigo que precisava dar uma passadinha pra ver a magrelinha, porque as outras crianças tinham alguém que visitava e ela tinha apenas eu, sua irmã foi adotada quando tinha meses, mais a Júlia estava com 8 e tinha leucemia e lutava pela cura todos os dias”, relatou.

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Foto reprodução

Jullia tinha leucemia e não tinha parentes próximos para visitá-la e, por isso, uma amizade forte nasceu entre as duas. Na carta, a menina diz que gostaria que ela fosse adotada. “Você é a minha melhor amiga e eu queria que você fosse a minha mãe, pedi para o papai do céu me fazer sarar, porque aí você ia arrumar os documentos e me adotar”, escreveu, com a ajuda de uma assistente social.
O recado foi escrito quando a doença se agravou. A expectativa da criança é que ela pudesse entregar a carta no dia 27, aniversário de Gabriella, mas ela chegou na última quarta-feira (9), mesmo dia que Jullia morreu. A carta foi escrita no dia 1º de janeiro em uma agenda da Branca de Neve. “Tia Gabi, eu te amo, e estou pintando as bolinhas do calendário igual você disse e só faltam duas fileiras para o dia do seu aniversário, mas estou muito doente e com dor, por isso, se eu for morar com o papai do céu, não fica triste, porque eu te amo e só você é a minha melhor amiga”, escreveu Jullia.

No post do Facebook, Gabriella faz um apelo para que outras crianças não sejam abandonadas. “Só faço aqui, um pedido as mães que colocam crianças no mundo e abandonam, vocês não fazem ideia do que é uma criança crescer sem ter um apoio fixo, é um funcionário do orfanato que dá um pouco de atenção, depois um enfermeiro que pega amor, ou a mãe de um coleguinha que leva um presente no Natal, ou às vezes, a mãe do coleguinha está em uma viagem, o enfermeiro trocou de plantão e o funcionário trocou de emprego, nessas horas ela está sozinha novamente. Não tem quem ensinar a escrever, não tem quem ensinar a segurar o garfo nas refeições, não tem quem fazer um penteado no cabelo, e nem passar o batom que ela tanto gostava”, disse.

Ao G1, a bancária contou que não pretende mais fazer trabalhos voluntários. “Não tenho estrutura”, explicou.
Na rede social, Gabriella diz que está sofrendo com a morte de Jullia. “A dor é grande, e o alívio também, ela descansou e eu deixo essa homenagem, pela força que teve e por tudo que foi nesse mundo. A tia Gabi te ama, você será minha eterna melhor amiga e estará sempre em meu coração”, finalizou.
Leia a carta completa:

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