Quijingue: “Mais de 2 milhões foram jogados no lixo”, denuncia ex-líder do prefeito

10003369_516740478435167_1915332245_nO acordo feito por todos os vereadores de manterem a pauta da Câmara de Vereadores da Cidade de Quijingue trancada para a votação de projetos de interesse do poder executivo, continua de pé. Os vereadores exigem mais diálogo entre os dois poderes e estabelecem que a prefeitura intervenha junto à empresa de transporte no sentido de firmar contratos com os proprietários de ônibus, tendo em vista que em 2013, a empresa não efetivou contratos e ainda reduziu os valores dos serviços por diversas vezes.

Por conta disso, nenhum projeto entrou em discussão na sessão de ontem (18), a qual foi marcada pelas críticas ao governo de Almirinho feitas pelos vereadores da oposição e da situação, sobretudo, das revelações bombásticas do vereador Reginaldo Cavalcante (PT), agora como ex-líder do governo de Almirinho.

Reginaldo Cavalcante começou seu discurso defendendo que é necessário rever os gastos e os cortes do governo Almirinho, pois, sempre defendeu que os cortes teria que acontecer de cima para baixo e não ao contrário, mas isso o prefeito não fez. Disse que Almirinho precisava reduzir os salários dos secretários de governo, reduzir os gastos com as realizações de festas e das contratações de assessoria e serviços técnicos contábil, de consultoria, entre outras, pois, o exagero com estes gastos comprometeu os serviços essenciais, deixando descobertos.

Lembrando que não fazia oposição de brincadeirinha, Reginaldo voltou a dizer que o pior mal que existe é a corrupção e a incompetência, pois dinheiro na gestão pública não faltava, mas sim, gerenciamento e priorização das áreas essenciais a serem atendidas.

10013578_516740475101834_2089775763_nAntes de fazer as revelações do governo Almirinho, e para que ninguém depois viesse cobrá-lo do porquê de não ter revelado antes, o ex-líder disse que somente teve acesso aos dados recentemente, quando a execução orçamentário finalizou. Apesar da oposição ter sempre exposto e cobrado, para ele, alguns números são surpreendentes. Reginaldo alertou que se o prefeito não adotar nenhuma medida para corrigir erros gravíssimos de sua gestão, dificilmente seu governo e o povo conseguirão sair da lama na qual se encontram. “Quando falo isso é porque estou munidos de dados e dos númeors que comprovam o que estou falando”, afirmou.

Para respaldar sua fala, Reginaldo apresentou dados de 2012 e 2013 para fazer uma comparação dos gastos da gestão passada (ano de 2012) e a do primeiro ano da gestão de Almirinho (2013).

Com as manifestações e promoções culturais tradicionais (festas), da pasta da Secretaria de Cultura, Esporte e Turismo, segundo o vereador, em  2012, dos R$ 725.000 (setecentos e vinte e cinco mil reais), aprovado pela Câmara Municipal, o prefeito Joaquim dos Santos gastou R$ 254.892,02 (duzentos e cinquenta e quatro mil, oitocentos e noventa e dois reais, e dois centavos). Já para 2013, a Câmara aprovou R$ 740.456,00 (setecentos e quarenta mil, quatrocentos e cinquenta e seis reais), acrescido de uma suplementação de R$ 358.000,00 (trezentos e cinquenta e oito mil reais) feita pelo prefeito Almirinho. Destes, o gestor gastou com festas o montante de R$ 925.000,00 (novecentos e vinte e cinco mil reais), tendo já liquidado R$ 707.000,00 (setecentos e sete mil reais) e R$ 218.000,00 (duzentos e dezoito mil reais) com restos a pagar. Reginaldo frisou que, como o município estava em situação de emergência por conta da seca, o prefeito não poderia ter gastado mais do que na gestão anterior, conforme determina resolução do TCM.

Sobre as contratações de assessoria e serviços técnicos contábil e de consultoria, o vereador lembrou que em 2012 esses contratos somaram-se em R$ 264.200,00 (duzentos e sessenta e quatro mil e duzentos reais); e, em 2013, Almirinho gastou R$ 726.700,00 (setecentos e vinte e seis mil e setecentos reais), um acrécimos de 175%. Ou seja, o atual gestou excedeu os gastos com essas contratações em R$ 462.500,00 (quatrocentos e sessenta e dois mil e quinhentos reais). Valor, a mais sendo que eram os mesmos contratos de 2012, na gestão de Dr. Joaquim.

Sobre essa diferença (a mais) de R$ 456.000,00 (quatrocentos e cinquenta e seis mil reais) nos valores dos contratos de 2013, sendo os mesmos serviços contratados em 2012, Reginaldo questionou: “Daria para nós comprarmos quantas ambulâncias? … heim?”

Para os serviços de limpeza pública, a câmara aprovou R$ 800.000,00 (oitocentos mil reais). Não conformado, o prefeito Almirinho  fez uma suplementação de mais R$ 965.800,00 (novecentos e sessenta e cinco mil, e oitocentos reais), ou seja, quase 1 milhão que se soma aos R$ 800.000,00. “Se pegasse esse dinheiro daria para cobrir o rombo da saúde e da educação”, rematou.

“Por isso que ficou o déficit; por isso que faltou soro, faltou ambulância, faltou esparadrapo, faltou o essencial. No esporte não foi gasto um real na secretaria do esporte. Não tem nada. Foi jogado no lixo mais de 2 milhões de reais”, denunciou o ex-líder.

As revelações do ex-líder sobre o governo Almirinho não pararam por aí. Reginaldo disse ainda que, além da contratação de um escritório de advocacia por R$ 144.000,00 (cento e quarenta e quatro mil reais), Almirinho ainda contratou mais dois advogados por valores desconhecidos, o que deve custar ao município quase R$ 100.000,00 (cem mil reais). Isso ele não podia, informou.

Segundo o vereador, o rombo do município, hoje está em torno de 3 milhões de reais. “Como vou cobrir se eu não cortar isso amanha?”, questionou, dizendo mais: “É uma questão política administrativa para o povo não pagar mais do tá pagando. Porque não vai ter merenda que preste, não vai ter escola que preste, não vai ter saúde que preste, não vai ter nada que preste, se isso aqui continuar. Não há nenhuma administrador que concerte Quijingue se não fizer isso que estou falando. Isso não é mais paixão. Infelizmente tem que dizer.”

Antes de concluir, Reginaldo ainda revelou que no orçamento da Secretaria de Finanças tinha disponível R$ 13.000,00 (treze mil reais), porém, o prefeito fez um suplemente de 100% , atingindo R$ 26.000,00 (vinte e seis mil reais). No entanto, Almirinho extrapolou a previsão orçamentária e gastou R$ 247.000,00 (duzentos e quarenta e sete mil reais) com estes serviços. O mesmo teria ocorrido com a Secretaria de Administração, garantiu o vereador.

Assista o vídeo do discurso do vereador Reginaldo Cavalcante:


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Com informações e fotos do Folha da Vila