Salvador: Estudantes criam site para mapear roubos

    650x375_1346478A ideia dos estudantes baianos Fillipe Norton e Márcio Vicente, ambos de 22 anos, era criar um produto “famoso” e utilizado por milhões de pessoas. Como tema, cogitaram áreas como saúde e educação. Mas segurança foi escolhida por conta da “insegurança em Salvador”. Assim surgiu o site “Onde fui roubado”, uma rede nacional de denúncias.

    O site foi ao ar em 29 de junho deste ano e, em um mês e 14 dias de funcionamento, já soma 24.197 visualizações. No entanto, somente 325 acessos de 36 cidades do País resultaram em denúncias registradas, sendo Salvador a campeã com 183 ocorrências, seguida de Florianópolis (50), Fortaleza (23) e São Paulo (13).

    Fillipe e Márcio, que cursam o 7º semestre de ciência da computação na Universidade Federal da Bahia (Ufba), decidiram associar o Google Maps ao site, para que a população pudesse, além de relatar diferentes “tipos de assaltos”, localizar onde ocorreram os crimes.

    1346482“Quem está nessa área tem a vontade de criar algo famoso. Tipo o novo Facebook. Queríamos fazer algo novo”, destaca Fillipe.

    Os objetivos, segundo os estudantes – que custearam o site do próprio bolso, mas preferem não revelar o valor investido -, são mapear os locais onde os crimes ocorrem com maior frequência e compartilhar a informação.

    “Eu tive a ideia e o tema segurança me chamou a atenção por causa da insegurança na cidade. Conversei com Márcio e ele achou a ideia muito boa”, conta Fillipe.

    Anonimato – No site, as denúncias são sempre sem identificação. Em um dos registros, uma usuária relata que, no último dia 5, foi assaltada pela janela do ônibus por dois jovens com fardamento escolar, em frente ao ponto da Igreja Universal na região do Iguatemi.

    Criadores da ferramenta “Onde fui roubado” cursam ciência da computação na Ufba

    “Peguei o celular da bolsa e, pela janela, um deles puxou à força. Correram entre os carros e entraram no shopping”, descreve a vítima.

    A ideia de registrar relatos como este surgiu em novembro de 2012. Em janeiro deste ano, a dupla lançou uma página para colher opiniões. “Cem por cento dos retornos foram positivos. A gente se empolgou”, destaca Fillipe.

    Hoje, os dois dispensam três horas, em média, por dia para o site. “Queremos informar à população o que está acontecendo em cada cidade. A pessoa faz a denúncia e pode compartilhar no Facebook e no Twitter”, diz Fillipe.

    A dupla de estudantes estima que 70% das pessoas que registram denúncias compartilham o relato. “Queremos ajudar a população a ficar prevenida. Levantar dados, mostrá-los claramente e descentralizar um pouco da polícia”, acrescenta Márcio, que, em maio deste ano, teve a casa arrombada, enquanto a família estava fora.

    Celular  – Dos números já contabilizados, 53,5% dos casos foram assaltos à mão armada. Em Salvador, 57% das vítimas são homens e 43% mulheres. O item mais roubado é celular, seguido de carteira, documentos e bolsa/mochila. No Estado, Itabuna registrou cinco denúncias; Ilhéus, duas; e, com uma apenas, estão cidades como Valença, Jacobina, Simões Filho, Candeias e Teixeira de Freitas.

    Os estudantes contam que estão preparando um painel comparativo para fazer um balanço das diferentes cidades e bairros de Salvador, além dos crimes mais frequentes. Um aplicativo para celulares também está sendo desenvolvido.

    Eles dizem que o site conseguiu alcançar outras cidades sem divulgação. A tática  foi compartilhar no Facebook. No futuro, esperam parcerias. Querem, ainda, abrir à publicidade com o objetivo de investir em outras cidades e buscar parcerias com órgãos de segurança para que utilizem os dados.

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